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Quatro em cada dez indústrias brasileiras não oferecem serviços associados à venda de produtos, diz CNI

22 de maio de 2026
no Economia
Tempo De Leitura: 5 mins read
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Quatro em cada dez indústrias brasileiras não oferecem serviços associados à venda de produtos, diz CNI

A oferta de serviços associados à venda de produtos pela indústria brasileira — como pós-venda, personalização, instalação e manutenção — ainda é limitada e representa uma oportunidade de expansão para o setor. É o que mostra a Sondagem Especial nº 100: Serviços na Indústria, divulgada nesta quinta-feira (21) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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Entre as empresas entrevistadas pelo levantamento, 41% afirmaram não oferecer serviço aos clientes, enquanto 40% ofertam, mas apenas 16% cobram por eles.

O especialista em Políticas e Indústria da CNI, Rafael Sales Rios, afirma que países desenvolvidos vêm passando, nas últimas décadas, por um processo de “servitização” da economia — tendência em que os serviços passam a integrar cada vez mais os produtos. 

“Para se ter uma ideia, hoje, 40% das receitas de uma empresa de smartphones vem dos serviços associados ao aparelho, e não mais da venda do equipamento em si. Quando o consumidor compra um carro ou uma tv, por exemplo, junto com o produto vem um conjunto de serviços, como assistência técnica avançada, serviços de aplicativo, entre outras coisas que aumentam a qualidade do produto que está sendo comercializado”, explica.

Segundo o especialista, o Brasil vive uma etapa intermediária desse processo. 

“Alguns setores estão incorporando muitos serviços de agregação de valor, enquanto alguns ainda não estão nesse mesmo nível. Mas acreditamos que, em um processo estrutural da nossa economia, toda a indústria caminhará para esse processo de servitização, seja colocando mais serviços dentro do processo produtivo, para se tornar mais competitiva e produtiva, seja no desenvolvimento de novos produtos”, destaca.

Serviços especializados reduzem custos e agregam valor 

O estudo também aponta que os gastos da indústria com serviços especializados contribuem tanto para a redução de custos quanto para o aumento do valor agregado dos produtos. A cada R$ 100 faturados, o setor industrial destina R$ 19 à contratação de serviços, sendo que 25% desse total corresponde a serviços industriais especializados. 

A pesquisa divide esses serviços em duas categorias: os voltados à agregação de valor e os focados na redução de custos. A maior parte das empresas prioriza os serviços de custo, que tornam a produção mais eficiente, mas têm baixo potencial para agregar valor ao produto, como manutenção e conserto de máquinas e equipamentos. Entre as indústrias de transformação, 72% contrataram esse tipo de serviço.

Já os serviços de maior qualificação e valor agregado — como softwares especializados, computação em nuvem, marketing e publicidade — são utilizados por 58% das empresas. 

Entre os serviços industriais especializados mais contratados pelas indústrias estão: 

  • Manutenção e o reparo de máquinas e equipamentos (adquiridos por 58% das indústrias);
  • Transporte, logística e logística reversa (57%);
  • Consultoria administrativa, contábil, jurídica ou econômica (52%);
  • Softwares especializados, programação, computação em nuvem, base de dados, inteligência artificial (48%);
  • Marketing, publicidade e comunicação visual (34%);
  • Aluguel ou arrendamento de máquinas e equipamentos (34%);
  • Intermediação financeira e seguros (23%);
  • Arquitetura, engenharia e desenho industrial (20%);
  • Análises técnicas, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e outras atividades técnico-científicas (15%).

Os segmentos de vestuário; celulose e papel; higiene pessoal, perfumaria e limpeza; farmoquímicos e farmacêuticos; equipamentos de informática e eletrônicos; máquinas e equipamentos; e móveis estão entre os que mais contratam serviços voltados tanto à redução de custos quanto à agregação de valor. 

Exportadoras investem mais em serviços especializados 

A pesquisa mostra ainda que os serviços industriais especializados estão mais presentes nas empresas voltadas ao mercado internacional, em linha com o observado em outros países.

Entre as indústrias exportadoras, 73% contrataram serviços para aumentar a eficiência da produção, contra 68% das empresas que atuam apenas no mercado interno. A diferença é ainda maior nos serviços voltados à qualificação do produto: 63% das exportadoras utilizam esse tipo de solução, contra 49% das não exportadoras. 

As empresas que exportam também destinam uma parcela maior dos gastos à contratação de serviços especializados. Enquanto as indústrias focadas exclusivamente no mercado interno direcionam 23% dessas despesas para esse tipo de serviço, o percentual sobe para 29% entre as exportadoras. 

Apesar disso, sete em cada dez empresas industriais relatam enfrentar dificuldades para contratar serviços especializados. Os principais obstáculos apontados são o alto custo (40%), a dificuldade em encontrar o serviço desejado (26%) e a falta de qualidade na entrega (11%). 

Políticas integradas podem impulsionar competitividade 

Para Rafael Sales Rios, ampliar a participação dos serviços na indústria brasileira exige políticas industriais mais modernas e integradas. 

“Não só pensando em indústria e não só pensando em serviços [de forma isolada], mas pensando em indústria e serviços [juntos], pois a indústria é uma grande demandante de serviços de alta qualificação e isso pode também transformar o setor de serviços. Uma indústria forte, que demande por mais serviços de alta qualificação, é uma indústria que vai demandar mais empregos e renda de alta qualidade”, reforça.

Segundo ele, muitas empresas ainda não conseguem transformar os serviços agregados aos produtos em fonte de receita — algo já consolidado em diversos mercados internacionais. 

“O Brasil também pode explorar esse mercado, se tornar cada vez mais competitivo, inovador e internacionalizar cada vez mais os produtos industriais, se incorporar esses serviços, diferenciar os seus produtos e agregar maior valor”, conclui. 

VEJA MAIS:

  • Índice de confiança da indústria sobe em maio, mas empresário segue pessimista há 17 meses
  • Pequena indústria brasileira tem pior desempenho desde a pandemia, aponta CNI

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