{"id":7158,"date":"2023-05-09T12:31:00","date_gmt":"2023-05-09T12:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/2023\/05\/09\/falta-profundidade-na-cobertura-sobre-feminicidios-diz-pesquisadora\/"},"modified":"2023-05-09T12:31:00","modified_gmt":"2023-05-09T12:31:00","slug":"falta-profundidade-na-cobertura-sobre-feminicidios-diz-pesquisadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/2023\/05\/09\/falta-profundidade-na-cobertura-sobre-feminicidios-diz-pesquisadora\/","title":{"rendered":"Falta profundidade na cobertura sobre feminic\u00eddios, diz pesquisadora\u00a0"},"content":{"rendered":"<style> bloco.meta {font-style: italic; color: #666;font-weight: 600;font-size: .8em; \/* line-height: .3em; *\/}  text h2 { font-weight: 700 !important;  color: #062f46 !important;} text img { width: none; left: none;}<\/style>\n<\/p>\n<p>Reportagens focadas em um crime espec\u00edfico, que ouvem apenas a pol\u00edcia e n\u00e3o trazem \u00e0 tona as ra\u00edzes da viol\u00eancia contra a mulher na sociedade nem divulgam os servi\u00e7os dispon\u00edveis para den\u00fancia e prote\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um resumo dos problemas encontrados por pesquisadores e pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em um trabalho de an\u00e1lise de mais de 800 reportagens publicadas sobre feminic\u00eddio no estado, entre 2015 e 2021. <\/p>\n<p>A an\u00e1lise, realizada nos anos de 2021 e 2022, foi feita pelo grupo de pesquisa Transverso \u2013 Estudos em Jornalismo, Interesse P\u00fablico e Cr\u00edtica, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo da UFSC. O trabalho rendeu o podcast  \u201cHist\u00f3ria mal contada &#8211; Os feminic\u00eddios na cobertura jornal\u00edstica\u201d e tamb\u00e9m um document\u00e1rio, com o mesmo nome, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=puwlnRp1HWE\" target=\"_blank\">dispon\u00edvel gratuitamente no YouTube<\/a>.<\/p>\n<p>Coordenadora do estudo, a professora da UFSC Terezinha Silva, diz em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> que o objetivo do trabalho era avaliar como a cobertura dos ve\u00edculos de imprensa no estado iria se comportar a partir da Lei n\u00ba 13.104\/2015, que reconheceu o feminic\u00eddio como um homic\u00eddio qualificado que envolve viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>&#8220;Houve avan\u00e7os importantes a partir de 2015. O pr\u00f3prio uso do termo feminic\u00eddio, e a maior visibilidade dos crimes, o que \u00e9 importante. E h\u00e1 casos em que a reportagem d\u00e1 um servi\u00e7o da rede de prote\u00e7\u00e3o e canais de den\u00fancias, que s\u00e3o quest\u00f5es importantes&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar disso, a pesquisadora aponta que predomina na amostra analisada, segundo ela, uma l\u00f3gica que prioriza a quantidade de mat\u00e9rias em vez da qualidade da cobertura, que tem a ver com o modelo de neg\u00f3cio dos ve\u00edculos jornal\u00edsticos, a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de jornalistas nas reda\u00e7\u00f5es e outros fatores.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong> Al\u00e9m de a UFSC ficar em Santa Catarina, voc\u00eas tamb\u00e9m entendem que o estado se destaca de alguma forma nos casos de feminic\u00eddio?<\/p>\n<p><strong>Terezinha Silva:<\/strong> Santa Catarina \u00e9 um dos estados que tem o n\u00famero mais significativo [de feminic\u00eddios], segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. A taxa \u00e9 superior \u00e0 m\u00e9dia nacional, que \u00e9 de 1,2 casos para cada 100 mil mulheres. Santa Catarina tem 1,5. Para n\u00f3s, isso \u00e9 bastante significativo. E, para al\u00e9m de ser uma amostra de um estado, tamb\u00e9m corrobora outras pesquisas que v\u00eam sendo feitas h\u00e1 alguns anos em outros estados e com abrang\u00eancia nacional. Ent\u00e3o, essa pesquisa corrobora outros dados e outros limites existentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cobertura jornal\u00edstica. Parece que tem certos problemas que a cobertura jornal\u00edstica n\u00e3o consegue superar. Se mant\u00e9m um certo modelo de cobertura que prioriza a quantidade de not\u00edcias a respeito desses crimes em vez de um aprofundamento, de pautas mais aprofundadas a respeito do problema que est\u00e1 na base dos feminic\u00eddios, que \u00e9 a viol\u00eancia de g\u00eanero. A cobertura acaba tratando cada caso como se fosse um caso isolado, epis\u00f3dico, e n\u00e3o como parte de uma trama mais ampla.<\/p>\n<p>\n<strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>  Apesar de a pesquisa estar ancorada em dados de Santa Catarina, a reflex\u00e3o alcan\u00e7a todo o Brasil?<\/p>\n<p><strong>Terezinha Silva:<\/strong> A pesquisa percebe aspectos dessa cobertura jornal\u00edstica que \u00e9 feita mantendo certos problemas. A gente percebe avan\u00e7os tamb\u00e9m, \u00e9 verdade, mas \u00e9 uma cobertura que prioriza a quantidade \u00e0 qualidade e aprofundamento no tratamento dessas pautas relacionadas aos feminic\u00eddios.<\/p>\n<p>\n<strong>Ag\u00eancia Brasil: <\/strong>Esse \u00e9 o ponto central do trabalho? Que a cobertura est\u00e1 voltada ao registro do epis\u00f3dio e \u00e0s informa\u00e7\u00f5es do boletim de ocorr\u00eancia?<\/p>\n<p><strong>Terezinha Silva:<\/strong> Esse \u00e9 o ponto central, e esse aspecto n\u00e3o chega a ser uma grande novidade, porque outras pesquisas antes de n\u00f3s e feitas em outros estados ou com dimens\u00e3o mais nacionalizada j\u00e1 apontavam isso. Esse \u00e9 o modelo de cobertura jornal\u00edstica do qual parece ser dif\u00edcil a imprensa se desvencilhar. E por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para a imprensa tratar com um pouco mais de contexto, maior problematiza\u00e7\u00e3o, trazendo fontes diferenciadas? Uma limita\u00e7\u00e3o acaba levando a outra. Por que \u00e9 tratado de forma t\u00e3o epis\u00f3dica? Porque as fontes de informa\u00e7\u00e3o geralmente s\u00e3o as mesmas, as fontes policiais. Ent\u00e3o, \u00e9 muito dif\u00edcil dar uma outra dimens\u00e3o ao problema se voc\u00ea escuta s\u00f3 a pol\u00edcia e se ela \u00e9 a fonte central da not\u00edcia. \u00c9 claro que a pol\u00edcia \u00e9 essencial, fazendo seu papel para solucionar o crime, mas ela n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonte que poderia ser acionada e falar sobre o crime. Falta essa iniciativa da cobertura jornal\u00edstica.<\/p>\n<p>\n<strong>Ag\u00eancia Brasil: <\/strong>Essa falta est\u00e1 ligada de alguma forma \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o do trabalho do jornalista e \u00e0 falta de jornalistas nas reda\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><strong>Terezinha Silva: <\/strong>Com certeza. \u00c9 um problema muito complexo. N\u00e3o d\u00e1 para a gente apenas dizer que n\u00e3o est\u00e3o fazendo a cobertura como deveria. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simplista. Tem uma s\u00e9rie de fatores que dificultam essa cobertura mais adequada. E isso decorre de uma s\u00e9rie de problemas. Um deles, com certeza, \u00e9 a precariza\u00e7\u00e3o. As reda\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais enxutas, os jornalistas cada vez mais sobrecarregados e tamb\u00e9m h\u00e1 toda uma gera\u00e7\u00e3o mais inexperiente e jovem. Quando a gente \u00e9 mais jovem, tamb\u00e9m n\u00e3o tem tanta experi\u00eancia para tratar de determinadas quest\u00f5es. Mas tamb\u00e9m tem um b\u00e1sico do trabalho jornal\u00edstico que n\u00e3o \u00e9 feito. Vi mat\u00e9rias muito incompletas, sem informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. E a\u00ed h\u00e1 uma s\u00e9rie de limita\u00e7\u00f5es dos profissionais que estavam fazendo a cobertura, por uma s\u00e9rie de motivos, inclusive a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. E a gente percebe que tamb\u00e9m, cada vez mais, falta especializa\u00e7\u00e3o, com o profissional tendo que cobrir v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo, de todas as \u00e1reas e para todas as m\u00eddias.<\/p>\n<p>\n<strong>Ag\u00eancia Brasil: <\/strong>S\u00e3o muitas quest\u00f5es do modelo de neg\u00f3cio dos ve\u00edculos jornal\u00edsticos que acabam negando uma discuss\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Terezinha Silva: <\/strong>Essa l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o industrial, de produ\u00e7\u00e3o em quantidade, \u00e9 contraproducente no sentido de que n\u00e3o aprofunda nada. Ent\u00e3o, a gente tem uma grande quantidade de mat\u00e9rias produzidas, mas o aprofundamento \u00e9 quase nenhum. E n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o haja visibilidade para o problema. Tem sim. Todo dia tem um caso sendo noticiado. O problema tem visibilidade, mas n\u00e3o chega nesse outro n\u00edvel, de sair da visibilidade em termos de quantidade para uma abordagem com qualidade, que seria um segundo n\u00edvel. A visibilidade foi um ganho importante nesses anos atrav\u00e9s da Lei do Feminic\u00eddio. A gente observou alguns avan\u00e7os tamb\u00e9m. <\/p>\n<p>\n<strong>Ag\u00eancia Brasil: <\/strong>O pr\u00f3prio uso do termo feminic\u00eddio foi um dos avan\u00e7os que voc\u00eas destacam.<\/p>\n<p><strong>Terezinha Silva: <\/strong>Exatamente. Esse foi um avan\u00e7o importante. Ele n\u00e3o era muito not\u00e1vel logo nos anos seguintes \u00e0 lei, em 2016 e 2017. Em 2018, foi um pouco mais e, em 2019, come\u00e7ou a ser muito mais usado. Ele come\u00e7a a ter um uso quase generalizado, n\u00e3o apenas no \u00e2mbito da pol\u00edcia e do Judici\u00e1rio, mas tamb\u00e9m dos pr\u00f3prios jornalistas. A gente viu coisas interessantes, como o fato de que, em alguns casos, mesmo quando a pol\u00edcia n\u00e3o usava o termo feminic\u00eddio na mat\u00e9ria, os jornalistas usavam em um t\u00edtulo. N\u00e3o havia mais uma depend\u00eancia de que, primeiro, a pol\u00edcia precisa definir que \u00e9 feminic\u00eddio. A cobertura passou a se apropriar de uma forma mais generalizada, e isso \u00e9 muito bom, porque \u00e9 um aprendizado social tanto dos jornalistas quanto dos demais atores encarregados de tratar desse problema e da pr\u00f3pria sociedade, que est\u00e1 lendo aquela mat\u00e9ria. As pessoas passam a entender que a raiz desse crime \u00e9 a viol\u00eancia de g\u00eanero, que n\u00e3o \u00e9 um homic\u00eddio como qualquer outro. E tem outras mat\u00e9rias que, apesar de serem absolutamente factuais, s\u00e3o boas mat\u00e9rias factuais e trazem, por exemplo, um servi\u00e7o com a rede de prote\u00e7\u00e3o que existe e os telefones de den\u00fancia. Isso \u00e9 importante tamb\u00e9m. Mas falta na cobertura um pouco mais de cobran\u00e7a do Poder P\u00fablico sobre o por que esses crimes continuam acontecendo com tanta frequ\u00eancia.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil: <\/strong>Outro problema que voc\u00eas apontam \u00e9 que na pressa de registrar apenas o epis\u00f3dio, fontes qualificadas deixam de ser ouvidas, como pesquisadoras do tema e ativistas feministas. O que o leitor deixa de receber como informa\u00e7\u00e3o quando o jornalista n\u00e3o ouve essas pessoas?<\/p>\n<p><strong>Terezinha Silva: <\/strong>Os leitores deixam de entender que as pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o uma luta de muitos anos, e que os movimentos sociais h\u00e1 muitos anos reivindicam essa rede prote\u00e7\u00e3o e sua amplia\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m que cortes de or\u00e7amento, por exemplo, em estados ou na Uni\u00e3o, tiram recursos dessa \u00e1rea de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres. Ouvir os movimentos sociais e pessoas que pesquisam h\u00e1 muitos anos d\u00e1 aos leitores essa dimens\u00e3o do problema, que o crime n\u00e3o \u00e9 isolado e faz parte desse problema mais estrutural. Que isso vem sendo discutido h\u00e1 muitos anos no Brasil. Os feminic\u00eddios n\u00e3o surgiram em 2015, a partir do momento em que a lei passou a nome\u00e1-los desse jeito. Isso acontece h\u00e1 muito tempo e ganha visibilidade maior agora. Ouvir outras fontes ajudaria a entender tamb\u00e9m que, muitas vezes, h\u00e1 um ciclo de viol\u00eancias que desencadeou aquele feminic\u00eddio, que era algo que poderia ter sido evitado. Isso, muitas vezes, \u00e9 apenas tangenciado pela mat\u00e9ria. Muitas mulheres j\u00e1 tinham feito mais de dez boletins de ocorr\u00eancia. H\u00e1 mulheres que j\u00e1 tinham medida protetiva, inclusive. E, se tinha medida protetiva, como foi assassinada? O que n\u00f3s, sociedade, estamos deixando de fazer para impedir que esse crime aconte\u00e7a? \u00c9 preciso cobrar isso do Estado.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil: <\/strong>E alguns casos saem dessa regra de ser noticiado apenas como um epis\u00f3dio isolado. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>Terezinha Silva: <\/strong>A maioria dos casos recebe at\u00e9 tr\u00eas mat\u00e9rias relativamente curtas, factuais e com tratamento superficial, sempre muito restrito \u00e0s informa\u00e7\u00f5es policiais. Alguns casos se destacam dessa m\u00e9dia, e fomos olhar o porqu\u00ea. Porque s\u00e3o casos que envolveram muita brutalidade ou envolviam um certo status social, seja da v\u00edtima ou do agressor. Um exemplo: era um advogado conhecido na cidade. Mas, tem um outro ponto que \u00e9 bastante interessante, que tem a ver com a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade, de movimentos sociais. Isso acaba contribuindo para que haja uma discuss\u00e3o do problema, porque outras fontes acabam tensionando e pressionando para que aquilo seja tratado de modo diferente. Identificamos esses tr\u00eas fatores para que um crime tenha mais repercuss\u00e3o sobre outros.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil: <\/strong>E quando ele tem mais repercuss\u00e3o, a discuss\u00e3o sobre o feminic\u00eddio vem \u00e0 tona ou n\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Terezinha Silva: <\/strong>O fato de ter mais repercuss\u00e3o n\u00e3o significa que tenha maior aprofundamento. Identificamos que, nesses casos que envolvem movimentos sociais, por exemplo, sim. Mas, nos outros casos, n\u00e3o necessariamente. Tivemos um caso em Joinville, que foi o que mais repercutiu em termos de quantidade de mat\u00e9rias na nossa amostra, em que a discuss\u00e3o em termos de motiva\u00e7\u00e3o de g\u00eanero no crime foi zero. Continuou sendo limitado \u00e0s fontes de sempre. A pol\u00edcia, para tratar das investiga\u00e7\u00f5es, e aos familiares e pessoas pr\u00f3ximas, para falar sobre a v\u00edtima e sobre a rela\u00e7\u00e3o deles. Isso at\u00e9 gerou um pouco de discuss\u00e3o sobre o hist\u00f3rico de viol\u00eancia, mas n\u00e3o aprofundou muito. E, depois, o julgamento faz com que um monte de mat\u00e9rias seja produzida, mas restritas ao resultado.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil: <\/strong>A chegada de mais mulheres \u00e0s reda\u00e7\u00f5es est\u00e1 contribuindo para uma mudan\u00e7a da forma de discutir viol\u00eancia contra a mulher na imprensa?<\/p>\n<p><strong>Terezinha Silva: <\/strong>Contribui, sim. Talvez n\u00e3o apare\u00e7a tanto ainda, mas tende a aparecer mais. No material que analisamos, temos catalogado quem era a jornalista ou o jornalista da mat\u00e9ria que foi produzida. A gente n\u00e3o fez esse recorte de quantas mat\u00e9rias eram assinadas por mulheres e assinadas por homens, mas a gente pode dizer que tinham mat\u00e9rias assinadas por mulheres que tampouco traziam esse aprofundamento, assim como tinham mat\u00e9rias assinadas por homens que se mostravam bastante completas. Mas, por que eu acho que a representatividade tende a influenciar? Porque se tem uma nova gera\u00e7\u00e3o se formando nesse contexto todo dessa \u00faltima d\u00e9cada, de uma discuss\u00e3o mais intensa sobre quest\u00f5es de g\u00eanero. N\u00e3o quero dizer que antes disso n\u00e3o havia jornalistas mais velhas e mais velhos sem essa perspectiva de g\u00eanero. N\u00e3o \u00e9 isso. O que quero dizer \u00e9 que mesmo as mulheres atuando nas reda\u00e7\u00f5es enfrentam resist\u00eancias ao tratar certos casos e a trazer discuss\u00f5es de g\u00eanero para suas pautas. A gente sabe que n\u00e3o \u00e9 algo consensual, que h\u00e1 uma disputa interna nas reda\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p class=\"alt-font font-italic my-2 small text-info\">\n                                                Edi\u00e7\u00e3o:   Carolina Pimentel                    <\/p>\n<p>            <!-- blog End --><\/p>\n<p>            <!-- tag and share --><\/p>\n<p> Fonte: EBC <\/p>\n<input type=\"hidden\" id=\"baseurl\" value=\"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\"><input type=\"hidden\" id=\"audio_nonce\" value=\"b8ef8c7dfd\">","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terezinha Silva disse que foram identificados avan\u00e7os nas reportagens<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7160,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[106],"class_list":["post-7158","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-brunna-pareja"],"distributor_meta":false,"distributor_terms":false,"distributor_media":false,"distributor_original_site_name":"Noticias em Destaque","distributor_original_site_url":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br","push-errors":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7159,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7158\/revisions\/7159"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}