{"id":6395,"date":"2023-04-17T12:38:00","date_gmt":"2023-04-17T12:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/2023\/04\/17\/maternidade-na-adolescencia-afeta-mais-jovens-indigenas\/"},"modified":"2023-04-17T12:38:00","modified_gmt":"2023-04-17T12:38:00","slug":"maternidade-na-adolescencia-afeta-mais-jovens-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/2023\/04\/17\/maternidade-na-adolescencia-afeta-mais-jovens-indigenas\/","title":{"rendered":"Maternidade na adolesc\u00eancia afeta mais jovens ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<style> bloco.meta {font-style: italic; color: #666;font-weight: 600;font-size: .8em; \/* line-height: .3em; *\/}  text h2 { font-weight: 700 !important;  color: #062f46 !important;} text img { width: none; left: none;}<\/style>\n<\/p>\n<p>As adolescentes ind\u00edgenas s\u00e3o as mais afetadas pela gravidez antes da maioridade e as que t\u00eam menos acesso ao acompanhamento pr\u00e9-natal, mostra pesquisa divulgada nesta semana pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz). Entre os beb\u00eas nascidos de mulheres ind\u00edgenas de 2008 a 2019, quase 30% tiveram jovens ind\u00edgenas de 10 a 19 anos como m\u00e3es.<\/p>\n<p>O estudo foi feito em parceria entre o Instituto de Sa\u00fade Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimentos para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz Bahia) e o Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (Unfpa). S\u00e3o utilizados dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan-Datasus), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>O n\u00famero de beb\u00eas nascidos de m\u00e3es adolescentes entre 2008 e 2019 chega a 6.118.205, e, em 95,14% dos casos, as m\u00e3es tinham entre 15 e 19 anos. A faixa et\u00e1ria mais nova, de 10 a 14 anos, corresponde a menos de 5% das gesta\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 destacada na pesquisa por \u201cfortes evid\u00eancias de gravidez relacionada a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sexual\u201d, segundo a Fiocruz. De acordo com a pesquisa, essas adolescentes tiveram 296 mil beb\u00eas no per\u00edodo.<\/p>\n<h2>M\u00e3es ind\u00edgenas<\/h2>\n<p>A pesquisa resultou em uma cartilha, divulgada em fevereiro, em que constam detalhes dos anos estudados pelos cientistas. Segundo o estudo, a porcentagem de nascidos vivos de m\u00e3es adolescentes com 15 a 19 anos caiu de 2008 a 2019 entre todas as ra\u00e7as, mas se manteve est\u00e1vel acima dos 25% entre as adolescentes ind\u00edgenas. Isso significa que, a cada quatro beb\u00eas ind\u00edgenas, um tinha a m\u00e3e nessa faixa et\u00e1ria. Entre as pardas, houve queda de 22,76% para 16,77%; entre as pretas, de 18,81% para 13,19%; e, entre as brancas, de 16,26% para 9,18%.<\/p>\n<p>Na faixa et\u00e1ria mais nova, de 10 a 14 anos, o \u00edndice entre as ind\u00edgenas come\u00e7ou o per\u00edodo pesquisado em 3,46% e, 11 anos depois, caiu pouco, para 3,27%, enquanto todas os outros recortes de ra\u00e7a est\u00e3o abaixo 1%. No caso das meninas brancas, o percentual \u00e9 de 0,34%.<\/p>\n<p>&#8220;Sem entrar no m\u00e9rito das discuss\u00f5es sobre relativismo cultural, faz-se necess\u00e1rio observar que a perspectiva da gravidez na adolesc\u00eancia de ind\u00edgenas encontra o desafio da discuss\u00e3o \u00e9tnico-cultural, sobre o pr\u00f3prio conceito de meninas, adolescentes e mulheres, bem como o processo de transi\u00e7\u00e3o entre essas fases&#8221;, indica o estudo. &#8220;Isso posto, faz-se necess\u00e1rio buscar maior detalhamento de informa\u00e7\u00f5es no processo de constru\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias e elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas focados em povos ind\u00edgenas. O respeito \u00e0 autonomia, n\u00e3o viol\u00eancia e o direito de decis\u00e3o das meninas \u00e9 princ\u00edpio fundamental no acesso e frui\u00e7\u00e3o dos direitos reprodutivos&#8221;.<\/p>\n<p>A frequ\u00eancia de maternidade na adolesc\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 maior no Norte e Nordeste. Cerca de 24% dos nascidos vivos no Norte no per\u00edodo pesquisado, s\u00e3o de jovens de 15 a 19 anos, enquanto no Nordeste o percentual chega a 20%. No Centro-Oeste, s\u00e3o 17%; no Sul, 15%; e  no Sudeste, 14,5%.<\/p>\n<p>As m\u00e3es de 10 a 14 anos do Norte tiveram 1,54% dos beb\u00eas nascidos na regi\u00e3o naquele per\u00edodo, enquanto, para as do Sudeste, o percentual foi de 0,59%.<\/p>\n<h2>Sem pr\u00e9-natal<\/h2>\n<p>O acesso a consultas durante a gesta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem desigualdades raciais apontadas pela pesquisa. Entre as adolescentes ind\u00edgenas que tiveram beb\u00eas entre os 10 e 14 anos, 10% n\u00e3o tiveram nenhuma consulta de pr\u00e9-natal. Entre as meninas pretas e pardas da mesma idade, 3,6% e 3,3%, respectivamente, n\u00e3o tiveram acompanhamento. Entre as brancas, a falta de acesso foi relatada por 1,9%.<\/p>\n<p>No grupo de m\u00e3es ind\u00edgenas de 15 a 19 anos, somente 26,6% das adolescentes tiveram acesso a pelo menos sete consultas pr\u00e9-natais, percentual que chega a 64,3% no caso das adolescentes brancas que foram m\u00e3es na mesma faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>A pesquisa explica que um pr\u00e9-natal de qualidade, com a quantidade adequada de consultas, \u00e9 fator de promo\u00e7\u00e3o de partos seguros e saud\u00e1veis e de redu\u00e7\u00e3o dos casos de mortes maternas. O texto acrescenta que &#8220;adolescentes, muitas vezes, demoram mais a ter a primeira consulta de pr\u00e9-natal e podem ter menos consultas ao longo da gesta\u00e7\u00e3o&#8221;. Os motivos para isso podem estar relacionados \u00e0 maior dificuldade de identificar, processar emocional e socialmente a gravidez e dificuldade de acessar o servi\u00e7o. As pesquisadoras apontam que tamb\u00e9m pode haver influ\u00eancia de estigmas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade na adolesc\u00eancia e falta de acolhimento.<\/p>\n<h2>Casamentos infantis<\/h2>\n<p>No per\u00edodo analisado pelas pesquisadoras, do total de m\u00e3es adolescentes, 29,2% vivenciavam algum tipo de rela\u00e7\u00e3o conjugal, seja casamento ou uni\u00e3o consensual. Esse \u00edndice foi maior entre jovens ind\u00edgenas, chegando a 42% entre as m\u00e3es com 15 a 19 anos, e a 31% no caso das que tinham de 10 a 14 anos quando tiveram filhos. <\/p>\n<p>A Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre os Direitos da Crian\u00e7a (CRC) considera casamento infantil a uni\u00e3o envolvendo, pelo menos, um c\u00f4njuge abaixo de 18 anos. O estudo explica que essas uni\u00f5es precoces amea\u00e7am a vida e a sa\u00fade das meninas, limitando suas perspectivas de futuro e provocando gesta\u00e7\u00f5es enquanto ainda s\u00e3o adolescentes. Com isso, aumenta o risco de complica\u00e7\u00f5es na gravidez ou no parto e a mortalidade nessa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;As evid\u00eancias mostram que casamentos precoces na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o, em sua maioria, informais e consensuais, frequentemente envolvendo homens adultos e meninas na fase da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Na regi\u00e3o, o Brasil se destaca pelo <em>ranking<\/em> elevado em n\u00fameros absolutos&#8221;, diz a cartilha. &#8220;Embora a Lei 13.811\/2019 (que alterou o C\u00f3digo Civil Brasileiro) pro\u00edba expressamente o casamento de adolescentes menores de 16 anos, a pr\u00e1tica permanece ainda relativamente frequente, por diversas raz\u00f5es estruturantes, entre elas a pobreza persistente e as desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a\/cor e etnia. Embora tanto meninos quanto meninas vivenciem uni\u00f5es precoces, meninas s\u00e3o significativamente mais afetadas por essa pr\u00e1tica&#8221;.<\/p>\n<p>Um total de 69.418 atendimentos em servi\u00e7os de sa\u00fade decorrentes de viol\u00eancia sexual contra meninas e adolescentes foram registrados no pa\u00eds, segundo dados de 2015 a 2019, levantados pela pesquisa no Sinan. As meninas de 10 a 14 anos foram as principais v\u00edtimas (66,92%) desses casos.<\/p>\n<p>Adolescentes negras (pretas e pardas) foram as que mais sofreram viol\u00eancia sexual, com 64,18% do total de casos, segundo o estudo. A cada 10 casos, seis aconteceram na resid\u00eancia das v\u00edtimas (63%).  <\/p>\n<p class=\"alt-font font-italic my-2 small text-info\">\n                                                Edi\u00e7\u00e3o:   Gra\u00e7a Adjuto                    <\/p>\n<p>            <!-- blog End --><\/p>\n<p>            <!-- tag and share --><\/p>\n<p> Fonte: EBC <\/p>\n<input type=\"hidden\" id=\"baseurl\" value=\"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\"><input type=\"hidden\" id=\"audio_nonce\" value=\"1b426fd792\">","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elas t\u00eam tamb\u00e9m menos acesso ao acompanhamento pr\u00e9-natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6397,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[106],"class_list":["post-6395","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-brunna-pareja"],"distributor_meta":false,"distributor_terms":false,"distributor_media":false,"distributor_original_site_name":"Noticias em Destaque","distributor_original_site_url":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br","push-errors":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6395"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6396,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6395\/revisions\/6396"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}