{"id":5395,"date":"2023-03-14T13:30:00","date_gmt":"2023-03-14T13:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/2023\/03\/14\/mulher-negra-mae-e-cria-da-favela-a-trajetoria-de-marielle-franco\/"},"modified":"2023-03-14T13:30:00","modified_gmt":"2023-03-14T13:30:00","slug":"mulher-negra-mae-e-cria-da-favela-a-trajetoria-de-marielle-franco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/2023\/03\/14\/mulher-negra-mae-e-cria-da-favela-a-trajetoria-de-marielle-franco\/","title":{"rendered":"\u201cMulher, negra, m\u00e3e e cria da favela\u201d: a trajet\u00f3ria de Marielle Franco"},"content":{"rendered":"<style> bloco.meta {font-style: italic; color: #666;font-weight: 600;font-size: .8em; \/* line-height: .3em; *\/}  text h2 { font-weight: 700 !important;  color: #062f46 !important;} text img { width: none; left: none;}<\/style>\n<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sou livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas\u201d, disse Marielle Franco, trinta minutos antes de ser assassinada, no dia 14 de mar\u00e7o de 2018. As palavras eram emprestadas da norte-americana Audre Lorde, ativista pelos direitos das mulheres, negros e homossexuais. Na sequ\u00eancia, se despediu com a frase \u201cVamo junto ocupar tudo\u201d, ao encerrar o evento Jovens Negras Movendo as Estruturas.<\/p>\n<p>Tanto a cita\u00e7\u00e3o quanto o convite para a luta pol\u00edtica ajudam a dimensionar o perfil da vereadora. Ao falar de si, frequentemente se descrevia como \u201cmulher, negra, m\u00e3e e cria da favela\u201d. Identidades expressas com orgulho e que marcaram a trajet\u00f3ria de 38 anos de vida, dedicados \u00e0 defesa de minorias e de grupos socialmente oprimidos.<\/p>\n<p>Marielle nasceu em 27 de julho de 1979, filha de <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2023-03\/mae-de-marielle-franco-e-contraria-federalizacao-da-investigacao\" target=\"_blank\">Marinete da Silva<\/a> e de Ant\u00f4nio Francisco da Silva Neto. Mulher negra, que cresceu no Conjunto Esperan\u00e7a, no Complexo da Mar\u00e9, Zona Norte do Rio de Janeiro. Na adolesc\u00eancia, alternou momentos em que trabalhou com o pai, frequentou grupo jovem da Igreja Cat\u00f3lica e at\u00e9 foi dan\u00e7arina da equipe de funk Furac\u00e3o 2000. Com 19 anos, tornou-se m\u00e3e de uma menina, Luyara Santos. Em 2005, perdeu uma amiga, baleada durante tiroteio na favela. A experi\u00eancia acirrou o desejo de militar em defesa dos direitos humanos.<\/p>\n<p>\u201cEla ficou muito comovida e passou muitos dias ap\u00f3s esse assassinato falando que voltaria \u00e0 Mar\u00e9 e mudaria aquele lugar\u201d, recorda Anielle Franco, irm\u00e3 de Marielle e ministra da Igualdade Racial. \u201cMeus pais trabalhavam muito fora, ent\u00e3o esse senso de responsabilidade chegou muito cedo. Ela era amiga de muitas pessoas e, \u00e0s vezes, virava a noite no telefone, ou ficava pendurada na grade de casa para conversar. Eu tenho essa lembran\u00e7a dela muito viva, do sorris\u00e3o, da brincadeira, do chegar com a voz alta\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>\u201cEsse foco nas minorias, de ter essa coisa social desde nova, foi sempre presente na vida dela. Por conta at\u00e9 da hist\u00f3ria da gente, n\u00e9? Marielle assumiu compromissos muito cedo. Em 1990, eu fiquei trabalhando fora do Rio de Janeiro e ela assumiu totalmente a vida da Anielle e a casa&#8221;, lembra a m\u00e3e, Marinete Silva.<\/p>\n<h2>Vida acad\u00eamica<\/h2>\n<p>Marielle viu o caminho intelectual como uma possibilidade para lutar contra as desigualdades sociais. Trabalhou como educadora infantil na Creche Albano Rosa, na Mar\u00e9. Foi aluna do Pr\u00e9-Vestibular Comunit\u00e1rio local. Ingressou e se formou em Ci\u00eancias Sociais, com bolsa integral, pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Em 2014, fez mestrado em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a disserta\u00e7\u00e3o \u201cUPP: a redu\u00e7\u00e3o da favela a tr\u00eas letras\u201d. O texto trazia cr\u00edticas \u00e0 atua\u00e7\u00e3o das unidades de pol\u00edcia na seguran\u00e7a p\u00fablica. Trabalhou ainda nas organiza\u00e7\u00f5es Brasil Foundation e no Centro de A\u00e7\u00f5es Solid\u00e1rias da Mar\u00e9 (Ceasm). Al\u00e9m disso, participou ativamente de coletivos e movimentos feministas, negros e de favelas.<\/p>\n<p>\u201cConheci a Marielle no pr\u00e9-vestibular comunit\u00e1rio da Mar\u00e9. N\u00f3s duas est\u00e1vamos tentando entrar na universidade e a Marielle sempre foi muito estudiosa. Ela queria, de fato, chegar \u00e0 universidade e construir a vida. Tinha acabado de ter a Luyara. Ent\u00e3o eu conheci essa Marielle brincalhona, a Marielle das festas. E a gente come\u00e7ou a militar juntas na Mar\u00e9 em defesa dos direitos humanos, justamente numa \u00e9poca que a gente estava se entendendo como sujeitas pol\u00edticas. Ent\u00e3o, diante da pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica, em que opera\u00e7\u00f5es policiais deixavam corpos de jovens pretos no ch\u00e3o, a gente passa a militar juntas\u201d, conta Renata Souza, deputada estadual no Rio de Janeiro (PSOL).<\/p>\n<h2>Milit\u00e2ncia<\/h2>\n<p>Em 2006, Marielle fez parte da equipe de campanha na Mar\u00e9 que elegeu Marcelo Freixo (PSOL) como deputado estadual. Na sequ\u00eancia, foi nomeada assessora parlamentar dele. Depois, assumiu a coordena\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A experi\u00eancia a encorajou a dar passos maiores.<\/p>\n<p>Em 2016, foi eleita vereadora da C\u00e2mara dos Deputados do Rio pelo Psol, com 46.502 votos, para o mandato 2017-2020. Na \u00e9poca, foi a quinta mais votada. Durante o mandato, presidiu a Comiss\u00e3o da Mulher da C\u00e2mara. Em fevereiro de 2018 foi escolhida como relatora de uma comiss\u00e3o na C\u00e2mara que iria acompanhar a atua\u00e7\u00e3o das tropas na interven\u00e7\u00e3o federal no Rio.<\/p>\n<p>\u201cA Marielle representava uma sociedade que n\u00e3o queria mais ver a repeti\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do machismo, do patriarcado, da LGBTfobia, do racismo estrutural. Ent\u00e3o, a elei\u00e7\u00e3o da Marielle \u00e9 uma resposta social para um anseio coletivo\u201d, afirma a vi\u00fava, M\u00f4nica Ben\u00edcio, com quem Marielle teve um relacionamento de quase 10 anos.<\/p>\n<p>\u201cEu me lembro da mudan\u00e7a que a Mari teve que fazer na vida dela para essa elei\u00e7\u00e3o. Porque tudo que ela gostava de fazer, ela deixou de fazer para se candidatar. Foram muitos finais de semanas, muitos dias e noites que a gente fez campanha em v\u00e1rios lugares, com v\u00e1rias pessoas\u201d, diz Anielle. \u201cMas ela estava certa daquilo, e ela teria ido muito mais al\u00e9m. Ela tinha sonhos de ir muito mais al\u00e9m\u201d, completa.<\/p>\n<h2>Legado pol\u00edtico<\/h2>\n<p>O assassinato interrompeu um trabalho ativo como vereadora. Segundo a C\u00e2mara Municipal do Rio, em 13 meses de mandato, Marielle se envolveu oficialmente em 118 proposi\u00e7\u00f5es na casa, entre projetos, mo\u00e7\u00f5es, requerimentos, of\u00edcios e emendas. Em destaque est\u00e3o os projetos de lei: foram 17 ordin\u00e1rios \u2013 oito deles iniciados apenas por ela e oito em conjunto com outros vereadores \u2013 e um pela Comiss\u00e3o de Defesa da Mulher, da qual era presidente. Tamb\u00e9m houve a apresenta\u00e7\u00e3o de um projeto de lei complementar.<\/p>\n<p>Dos 19 projetos, tr\u00eas foram aprovados e viraram lei quando a vereadora ainda estava vida: uma lei ordin\u00e1ria que estabeleceu limites nos contratos de gest\u00e3o entre o munic\u00edpio do Rio e as organiza\u00e7\u00f5es sociais da \u00e1rea de sa\u00fade; uma lei ordin\u00e1ria, em nome da Comiss\u00e3o de Defesa da Mulher, que estabeleceu diretrizes para criar casas de parto e atendimento \u00e0s gr\u00e1vidas e pu\u00e9rperas; e uma lei complementar que autorizou o servi\u00e7o de motot\u00e1xis na cidade.<\/p>\n<p>Outras nove leis foram aprovadas depois da morte da vereadora. Entre os temas, predominaram: direitos humanos, cidadania, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e direitos das mulheres. A continuidade dos projetos pol\u00edticos confirma as palavras da pr\u00f3pria Marielle, ditas em tom exaltado durante sess\u00e3o na C\u00e2mara poucos dias antes de ser assassinada, em 8 de mar\u00e7o de 2018: \u201cN\u00e3o serei interrompida\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO ativismo dela como mulher, o ativismo dela como coordenadora dos direitos humanos por mais de 10 anos, j\u00e1 dizia o quanto ela era importante na vida de cada um e ela passou a ser um \u00edcone da hist\u00f3ria\u201d, enfatiza a m\u00e3e, Marinete. \u201cMarielle vai ser sim um \u00edcone al\u00e9m do tempo. E vamos resistir. A fam\u00edlia resiste, o Instituto Marielle resiste, as mulheres negras resistem\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"alt-font font-italic my-2 small text-info\">\n                                                Edi\u00e7\u00e3o:   Heloisa Cristaldo                     <\/p>\n<p>            <!-- blog End --><\/p>\n<p>            <!-- tag and share --><\/p>\n<p> Fonte: EBC <\/p>\n<input type=\"hidden\" id=\"baseurl\" value=\"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\"><input type=\"hidden\" id=\"audio_nonce\" value=\"581f3017e1\">","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vereadora morta h\u00e1 cinco anos era l\u00edder ativa na defesa de minorias<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5397,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[106],"class_list":["post-5395","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-brunna-pareja"],"distributor_meta":false,"distributor_terms":false,"distributor_media":false,"distributor_original_site_name":"Noticias em Destaque","distributor_original_site_url":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br","push-errors":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5395"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5396,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5395\/revisions\/5396"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}