{"id":53190,"date":"2026-06-20T02:00:00","date_gmt":"2026-06-20T05:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/2026\/06\/20\/mineracao-comunidades-cases-premiados-mostram-como-a-mineracao-transforma-dialogo-em-legado\/"},"modified":"2026-06-20T02:00:00","modified_gmt":"2026-06-20T05:00:00","slug":"mineracao-comunidades-cases-premiados-mostram-como-a-mineracao-transforma-dialogo-em-legado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/2026\/06\/20\/mineracao-comunidades-cases-premiados-mostram-como-a-mineracao-transforma-dialogo-em-legado\/","title":{"rendered":"MINERA\u00c7\u00c3O &amp; COMUNIDADES: Cases premiados mostram como a minera\u00e7\u00e3o transforma di\u00e1logo em legado"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sa\u00fade na Ro\u00e7a (CMOC), AGP Clima (CBA), Desenvolvimento Rural (Lundin Mining), Projeto Ra\u00edzes (Galvani) e Sala de Acomoda\u00e7\u00e3o Sensorial (Mosaic), foram os projetos ganhadores do 2\u00ba. Pr\u00eamio Minera\u00e7\u00e3o &amp; Comunidades, promovido por <a href=\"https:\/\/www.brasilmineral.com.br\/\">Brasil Mineral<\/a><\/strong>, que abrangeu <strong>cinco categorias e que tem como objetivo principal reconhecer as iniciativas desenvolvidas por empresas de minera\u00e7\u00e3o em apoio \u00e0s comunidades dos territ\u00f3rios onde ocorre a atividade de extra\u00e7\u00e3o mineral<\/strong>. O j\u00fari, formado por especialistas que comp\u00f5em o Conselho Consultivo de Brasil Mineral, escolheu no total 15 trabalhos finalistas (3 em cada categoria), dentre os quais os listados acima foram os premiados.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a premia\u00e7\u00e3o, que integrou a programa\u00e7\u00e3o do <strong>11\u00ba. Minera\u00e7\u00e3o &amp;\/X Comunidades<\/strong>, foi realizada uma mesa-redonda reunindo os vencedores do 2\u00ba Pr\u00eamio Minera\u00e7\u00e3o &amp; Comunidades, mediada pela professora Maria Am\u00e9lia Enr\u00edquez, uma das juradas do pr\u00eamio, durante a qual ficou patente que projetos sociais estruturados, constru\u00eddos a partir da escuta ativa e do relacionamento permanente com as comunidades, v\u00eam se transformando em instrumentos capazes de fortalecer territ\u00f3rios, reduzir conflitos, criar valor compartilhado e consolidar a chamada licen\u00e7a social para operar.<\/p>\n<p><strong>Ao longo de mais de uma hora de conversa, representantes da Companhia Brasileira de Alum\u00ednio (CBA), CMOC Brasil, Lundin Mining, Galvani e Mosaic apresentaram iniciativas distintas em suas tem\u00e1ticas, mas surpreendentemente semelhantes em sua origem<\/strong>.<\/p>\n<p>Em praticamente todos os casos, o ponto de partida foi o mesmo: ouvir. Ouvir os moradores que convivem diariamente com as opera\u00e7\u00f5es minerais. Ouvir lideran\u00e7as comunit\u00e1rias. Ouvir professores, gestores p\u00fablicos, agricultores, profissionais de sa\u00fade e fam\u00edlias. Ouvir para compreender problemas que muitas vezes n\u00e3o aparecem nos indicadores tradicionais de desempenho empresarial.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Maria Am\u00e9lia destacou que essa caracter\u00edstica chamou a aten\u00e7\u00e3o do j\u00fari durante o processo de avalia\u00e7\u00e3o: \u201cconsideramos muito a originalidade, o alcance social, a escalabilidade e a sustentabilidade dos projetos ao longo do tempo\u201d, explicou. \u201cMas uma quest\u00e3o esteve presente em praticamente todas as an\u00e1lises: at\u00e9 onde vai a pol\u00edtica corporativa e at\u00e9 onde vai a pol\u00edtica p\u00fablica?\u201d, provocou a jurada.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o serviu de fio condutor para toda a discuss\u00e3o. Segundo Maria Am\u00e9lia, muitos dos projetos apresentados ocupam justamente uma zona de converg\u00eancia entre a atua\u00e7\u00e3o empresarial e as responsabilidades tradicionalmente atribu\u00eddas ao poder p\u00fablico \u2013 \u201cn\u00e3o se trata de substituir governos, mas de criar mecanismos capazes de fortalecer capacidades locais, preencher lacunas e acelerar solu\u00e7\u00f5es para problemas que afetam diretamente a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o\u201d. Foi a partir dessa constata\u00e7\u00e3o que os vencedores passaram a compartilhar suas experi\u00eancias.<\/p>\n<h2>Clima, governan\u00e7a e fortalecimento dos munic\u00edpios<\/h2>\n<p>Primeira a falar, L\u00edgia de Lima Carvalho, coordenadora de Sustentabilidade da CBA, n\u00e3o escondeu a satisfa\u00e7\u00e3o pelo reconhecimento recebido. \u201cMais do que um pr\u00eamio, \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o de que estamos no caminho certo e de que o ESG n\u00e3o morreu; est\u00e1 mais vivo do que nunca\u201d, afirmou. A executiva explicou que a companhia vem trabalhando h\u00e1 anos com uma estrat\u00e9gia estruturada de fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas municipais. A l\u00f3gica \u00e9 simples: munic\u00edpios mais preparados significam comunidades mais resilientes e opera\u00e7\u00f5es mais seguras.<\/p>\n<p>Segundo L\u00edgia, praticamente todo o portf\u00f3lio social da empresa foi desenhado com esse objetivo: \u201centendemos que um munic\u00edpio fortalecido, com pol\u00edticas fortes, contribui para o desenvolvimento social da regi\u00e3o e tamb\u00e9m para a nossa rela\u00e7\u00e3o com o governo\u201d. Essa vis\u00e3o ganhou forma concreta no AGP Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, iniciativa voltada \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o de gestores p\u00fablicos para enfrentar um dos maiores desafios contempor\u00e2neos: a adapta\u00e7\u00e3o aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>L\u00edgia explicou que o programa nasceu de uma reflex\u00e3o interna. Depois de desenvolver ferramentas pr\u00f3prias para avaliar riscos clim\u00e1ticos em suas opera\u00e7\u00f5es, a companhia percebeu que os mesmos conhecimentos poderiam ser compartilhados com os munic\u00edpios onde atua. \u201cFortalecendo a resili\u00eancia do munic\u00edpio, eu fortale\u00e7o a minha opera\u00e7\u00e3o. Evito, por exemplo, interrup\u00e7\u00f5es log\u00edsticas provocadas por eventos clim\u00e1ticos extremos\u201d, garantiu.<\/p>\n<p>O programa envolve Defesas Civis, secretarias de Meio Ambiente, Sa\u00fade, Assist\u00eancia Social e Direitos Humanos em uma governan\u00e7a integrada que rompe estruturas tradicionalmente compartimentadas. \u201cAssim como existem silos dentro das empresas, eles tamb\u00e9m existem dentro do poder p\u00fablico\u201d, observou. \u201cConseguimos criar um espa\u00e7o onde diferentes \u00e1reas passam a trabalhar juntas\u201d, explicou a coordenadora de Sustentabilidade da CBA.<\/p>\n<p>A iniciativa j\u00e1 alcan\u00e7a seis munic\u00edpios brasileiros e integra uma plataforma mais ampla de a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica da companhia, que inclui ferramentas p\u00fablicas de avalia\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade clim\u00e1tica e mecanismos de financiamento vinculados a metas socioambientais.<\/p>\n<h2>Sa\u00fade como ferramenta de desenvolvimento territorial<\/h2>\n<p>Se a adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica trouxe para o debate a rela\u00e7\u00e3o entre empresas e gest\u00e3o p\u00fablica, o case apresentado pela CMOC Brasil evidenciou outro tema igualmente sens\u00edvel: o acesso \u00e0 sa\u00fade nas comunidades rurais.<\/p>\n<p>Ao apresentar o projeto Sa\u00fade na Ro\u00e7a, Fl\u00e1via de Paula Adorno, gerente s\u00eanior de ESG e Licenciamento da CMOC Brasil destacou que a iniciativa nasceu de um processo de diagn\u00f3stico social realizado junto \u00e0s comunidades do entorno das opera\u00e7\u00f5es da companhia em Catal\u00e3o (GO). Embora o munic\u00edpio apresente uma estrutura de atendimento relativamente consolidada em compara\u00e7\u00e3o com outras regi\u00f5es do pa\u00eds, a escuta das comunidades revelou um problema pouco vis\u00edvel nas estat\u00edsticas oficiais: a dificuldade de acesso enfrentada pela popula\u00e7\u00e3o idosa residente em \u00e1reas rurais. \u201cHoje a CMOC est\u00e1 muito mais pr\u00f3xima das comunidades, e nas reuni\u00f5es que realizamos ouvimos que um dos principais pontos era a sa\u00fade\u201d, relatou.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico apontou que grande parte dos moradores das 15 comunidades atendidas era formada por idosos que encontravam obst\u00e1culos para se deslocar at\u00e9 unidades de sa\u00fade ou hospitais. O desafio n\u00e3o estava necessariamente na exist\u00eancia dos servi\u00e7os, mas na capacidade de alcan\u00e7\u00e1-los.<\/p>\n<p>A partir dessa constata\u00e7\u00e3o, a empresa iniciou um di\u00e1logo com a Secretaria Municipal de Sa\u00fade para identificar de que forma poderia contribuir sem sobrepor fun\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico. A solu\u00e7\u00e3o encontrada foi a cria\u00e7\u00e3o de uma estrutura itinerante de atendimento m\u00e9dico e odontol\u00f3gico, respons\u00e1vel por realizar avalia\u00e7\u00f5es iniciais, exames b\u00e1sicos e encaminhamentos para tratamentos especializados.<\/p>\n<p>Mais do que ampliar o acesso aos servi\u00e7os, a iniciativa passou a funcionar como uma ponte entre a popula\u00e7\u00e3o rural e a rede p\u00fablica de sa\u00fade. \u201cSentamos com o secret\u00e1rio municipal de Sa\u00fade para dialogar sobre onde a CMOC poderia contribuir. Entendemos que seria no atendimento b\u00e1sico, fazendo o mapeamento das necessidades e facilitando o acesso aos servi\u00e7os especializados\u201d, explicou Fl\u00e1via.<\/p>\n<p>Em sua an\u00e1lise, o principal aprendizado foi compreender que a gera\u00e7\u00e3o de valor social n\u00e3o est\u00e1 necessariamente associada a grandes investimentos, mas \u00e0 capacidade de construir solu\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0s necessidades reais das comunidades \u2013 \u201ca comunidade s\u00f3 entende a presen\u00e7a da empresa se sentir, de fato, que a vida dela mudou\u201d.<\/p>\n<p>A fala sintetizou uma percep\u00e7\u00e3o compartilhada ao longo de todo o painel: a licen\u00e7a social para operar n\u00e3o \u00e9 conquistada por campanhas institucionais, mas por transforma\u00e7\u00f5es percebidas no cotidiano das pessoas.<\/p>\n<h2>Quando o desenvolvimento rural se transforma em legado<\/h2>\n<p>A discuss\u00e3o avan\u00e7ou ent\u00e3o para um dos temas mais recorrentes nos debates sobre minera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento regional: a diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos territ\u00f3rios. Representando a Lundin Mining, Josielle Padilha Silvestre, coordenadora de Performance Social apresentou o Programa de Desenvolvimento Rural, iniciativa que busca fortalecer atividades produtivas j\u00e1 existentes nas comunidades pr\u00f3ximas \u00e0s opera\u00e7\u00f5es da empresa.<\/p>\n<p>O projeto surgiu a partir de uma constata\u00e7\u00e3o simples. Durante os processos de relacionamento comunit\u00e1rio, agricultores e pecuaristas passaram a manifestar a necessidade de apoio t\u00e9cnico para aumentar a produtividade e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas propriedades rurais. \u201cA escuta ativa \u00e9 a base de todos os nossos processos. Foi assim que identificamos que a agricultura e a pecu\u00e1ria eram potencialidades importantes da regi\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em vez de criar uma atividade econ\u00f4mica paralela, a empresa optou por fortalecer aquilo que j\u00e1 fazia parte da identidade local. As propriedades participantes recebem acompanhamento t\u00e9cnico durante tr\u00eas anos consecutivos. Nesse per\u00edodo, especialistas realizam diagn\u00f3sticos individualizados e identificam oportunidades de melhoria. O modelo adotado pela companhia prioriza a entrega de solu\u00e7\u00f5es concretas, evitando repasses financeiros diretos.<\/p>\n<p>\u201cEm hip\u00f3tese nenhuma repassamos dinheiro. Entregamos sempre servi\u00e7os e materiais\u201d, frisou Josielle. Os investimentos variam conforme as necessidades de cada propriedade. Em alguns casos, incluem melhorias em currais e sistemas de ordenha. Em outros, recupera\u00e7\u00e3o de pastagens, acesso \u00e0 \u00e1gua ou implanta\u00e7\u00e3o de sistemas de energia solar. Com isso, o resultado vai muito al\u00e9m do aumento da produ\u00e7\u00e3o: \u201cos produtores relatam melhoria de renda e passam a ter condi\u00e7\u00f5es de desenvolver outras atividades com mais qualidade de vida\u201d.<\/p>\n<p>A iniciativa despertou especial interesse da mediadora Maria Am\u00e9lia Enr\u00edquez, que destacou a import\u00e2ncia de construir economias capazes de sobreviver ao ciclo mineral: \u201ca atividade mineral \u00e9 tempor\u00e1ria no territ\u00f3rio. A comunidade \u00e9 permanente\u201d. A observa\u00e7\u00e3o trouxe para o centro do debate um dos principais desafios do setor: criar condi\u00e7\u00f5es para que os territ\u00f3rios continuem prosperando mesmo ap\u00f3s o encerramento das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Embora a empresa ainda n\u00e3o tenha estruturado uma cadeia formal de compras junto aos produtores beneficiados, Josielle reconheceu que esse pode ser um caminho futuro: \u201cestruturar uma cadeia para que produzam mais e gerem mais renda pode ser um pr\u00f3ximo passo\u201d.<\/p>\n<h2>Identidade, pertencimento e transforma\u00e7\u00e3o social<\/h2>\n<p>Poucos projetos apresentados durante o painel ilustraram t\u00e3o claramente a dimens\u00e3o humana do ESG quanto o Ra\u00edzes, desenvolvido pela Galvani em parceria com o Instituto Ser-T\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao apresentar a iniciativa, Arnobson dos Santos Costa, presidente da entidade, levou a discuss\u00e3o para al\u00e9m dos indicadores tradicionais de desenvolvimento, abordando quest\u00f5es relacionadas \u00e0 identidade, autoestima e pertencimento. O projeto nasceu em uma escola quilombola localizada na zona rural de Irec\u00ea, na Bahia, em um contexto marcado por evas\u00e3o escolar, baixa valoriza\u00e7\u00e3o cultural e falta de perspectivas para os jovens da comunidade \u2013 \u201caquela comunidade n\u00e3o se reconhecia, n\u00e3o enxergava valor nem potencialidades\u201d, recordou.<\/p>\n<p>Segundo ele, a situa\u00e7\u00e3o era agravada pela aus\u00eancia de refer\u00eancias positivas ligadas \u00e0 hist\u00f3ria e \u00e0 cultura negra no ambiente escolar: \u201ctemos uma lacuna enorme no ensino brasileiro. Falta literatura negra para falar sobre pessoas negras\u201d.<\/p>\n<p>Foi justamente para enfrentar essa realidade que surgiu o Ra\u00edzes. A primeira etapa do projeto envolveu a aquisi\u00e7\u00e3o de livros de literatura negra, instrumentos musicais, vestimentas de matriz africana e a realiza\u00e7\u00e3o de oficinas culturais para estudantes e professores. O objetivo era fortalecer a identidade cultural dos alunos e promover uma educa\u00e7\u00e3o antirracista alinhada \u00e0s especificidades do territ\u00f3rio. De acordo com Arnobson, \u201co projeto nasce para mostrar que a hist\u00f3ria daquele povo do campo e quilombola tem valor\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados rapidamente ultrapassaram os limites da escola onde a iniciativa come\u00e7ou. O programa foi ampliado para outras unidades de ensino, incorporado \u00e0s a\u00e7\u00f5es da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o e passou a alcan\u00e7ar mais de 1.500 estudantes. Arnobson destacou que um dos maiores legados do projeto est\u00e1 justamente em sua capacidade de gerar transforma\u00e7\u00f5es permanentes: \u201cquando se promove o resgate da hist\u00f3ria, da mem\u00f3ria e da identidade, ningu\u00e9m mais tira\u201d.<\/p>\n<p>Ao comentar o case, Maria Am\u00e9lia chamou aten\u00e7\u00e3o para outro aspecto relevante: a forma como a parceria entre empresa e poder p\u00fablico permitiu escalar a iniciativa sem descaracterizar sua ess\u00eancia. A experi\u00eancia demonstrou que, quando bem estruturadas, as a\u00e7\u00f5es corporativas podem contribuir para o fortalecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas em vez de substitu\u00ed-las.<\/p>\n<h2>Inclus\u00e3o constru\u00edda a partir da realidade<\/h2>\n<p>A capacidade de ouvir necessidades espec\u00edficas tamb\u00e9m foi o ponto de partida do projeto apresentado pela Mosaic. A Sala de Acomoda\u00e7\u00e3o Sensorial Acess\u00edvel surgiu durante o desenvolvimento de outra iniciativa social realizada em Uberaba (MG), quando gestores escolares relataram dificuldades para atender crian\u00e7as neurodivergentes em momentos de crise emocional. Segundo a Especialista de Projetos Sociais da Mosaic, Tha\u00eds de Oliveira Alves Gonz\u00e1lez, a demanda n\u00e3o fazia parte das linhas tradicionais de investimento social da empresa: \u201csomos uma empresa de fertilizantes, com projetos muito voltados \u00e0 seguran\u00e7a alimentar\u201d.<\/p>\n<p>Ainda assim, a necessidade identificada durante as conversas com a comunidade levou a companhia a estudar o tema e buscar especialistas capazes de apoiar a constru\u00e7\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cescuta ativa na pr\u00e1tica exige flexibilidade\u201d. A proposta foi desenvolvida em conjunto com educadores, profissionais especializados e representantes do poder p\u00fablico. O objetivo n\u00e3o era apenas criar um espa\u00e7o f\u00edsico diferenciado, mas oferecer condi\u00e7\u00f5es para que as crian\u00e7as pudessem permanecer integradas ao ambiente escolar.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o adiantava criar uma sala excludente. Precis\u00e1vamos construir um espa\u00e7o que ajudasse a crian\u00e7a a se regular e retornar ao conv\u00edvio\u201d, prosseguiu Tha\u00eds. Al\u00e9m da infraestrutura, o projeto envolveu capacita\u00e7\u00e3o de professores e equipes t\u00e9cnicas para garantir o uso adequado do ambiente.<\/p>\n<p>A receptividade foi imediata. Hoje, a iniciativa j\u00e1 est\u00e1 sendo replicada em outras localidades onde a Mosaic atua. \u201cQuando nossas equipes v\u00e3o a campo, ouvimos frequentemente que outras comunidades tamb\u00e9m querem uma sala como essa\u201d, afirma Tha\u00eds.<\/p>\n<p>O caso mostrou que inova\u00e7\u00e3o social nem sempre significa desenvolver solu\u00e7\u00f5es complexas. Em muitos casos, ela surge simplesmente da disposi\u00e7\u00e3o para ouvir demandas que normalmente passariam despercebidas.<\/p>\n<h2>Condicionante ou convic\u00e7\u00e3o? O que realmente impulsiona os projetos sociais<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s ouvir os relatos dos vencedores, Maria Am\u00e9lia Enr\u00edquez trouxe para a mesa uma quest\u00e3o recorrente nos debates sobre responsabilidade social corporativa na minera\u00e7\u00e3o. Afinal, os projetos apresentados nasceram de exig\u00eancias legais, de condicionantes ambientais e termos de ajustamento de conduta, ou resultaram de uma decis\u00e3o estrat\u00e9gica das empresas de investir em desenvolvimento territorial?<\/p>\n<p>A pergunta tocou em um dos temas mais sens\u00edveis do setor. Durante muito tempo, parte significativa das a\u00e7\u00f5es sociais desenvolvidas pelas mineradoras esteve associada ao cumprimento de exig\u00eancias regulat\u00f3rias. Nos \u00faltimos anos, entretanto, cresce a percep\u00e7\u00e3o de que os projetos mais transformadores costumam surgir quando as empresas ultrapassam a l\u00f3gica da obriga\u00e7\u00e3o e passam a atuar de forma mais integrada \u00e0s demandas dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00eas descreveram um processo muito semelhante em todos os casos\u201d, observou a mediadora. \u201cTudo come\u00e7a por uma escuta ativa e sens\u00edvel, que leva a um diagn\u00f3stico social; isso exige uma articula\u00e7\u00e3o institucional importante; depois v\u00eam a escalabilidade e a sustentabilidade do projeto. Qual foi o impulso para voc\u00eas entrarem nesse tipo de iniciativa?\u201d As respostas mostraram que n\u00e3o existe um \u00fanico caminho.<\/p>\n<p>No caso da CMOC, Fl\u00e1via de Paula Adorno reconheceu que o diagn\u00f3stico comunit\u00e1rio que deu origem ao Sa\u00fade na Ro\u00e7a estava relacionado a uma exig\u00eancia do processo de licenciamento. O projeto, por\u00e9m, foi muito al\u00e9m do atendimento formal dessa obriga\u00e7\u00e3o \u2013 \u201co diagn\u00f3stico era um condicionante, mas desenvolver o projeto na \u00e1rea da sa\u00fade foi um entendimento do que aquela comunidade realmente precisava\u201d, explicou. A executiva destacou que o desafio foi justamente transformar uma obriga\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria em uma oportunidade de constru\u00e7\u00e3o coletiva, envolvendo prefeitura, secretaria de sa\u00fade e moradores na defini\u00e7\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na CBA, o percurso foi diferente. L\u00edgia de Lima Carvalho explicou que o programa voltado \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas surgiu de uma reflex\u00e3o estrat\u00e9gica da companhia sobre riscos futuros: \u201cv\u00ednhamos passando por desastres clim\u00e1ticos e j\u00e1 t\u00ednhamos uma maturidade interna importante nesse tema. Ent\u00e3o surgiu o questionamento: por que n\u00e3o compartilhar esse conhecimento com os munic\u00edpios?\u201d. A iniciativa acabou se tornando um dos principais exemplos apresentados durante o painel de como a inova\u00e7\u00e3o social pode nascer da converg\u00eancia entre interesses empresariais e necessidades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Na Lundin Mining, segundo Josielle Padilha Silvestre, o programa de desenvolvimento rural surgiu antes mesmo de qualquer exig\u00eancia regulat\u00f3ria \u2013 \u201cn\u00f3s criamos o programa em 2019 a partir da escuta das comunidades. Quando fomos renovar a licen\u00e7a, em 2022, veio um condicionante relacionado ao apoio \u00e0 \u00e1rea rural. Como j\u00e1 realiz\u00e1vamos o trabalho, ele acabou sendo incorporado ao processo\u201d.<\/p>\n<p>A mesma l\u00f3gica apareceu nos relatos da Galvani e da Mosaic. Em ambos os casos, os projetos nasceram do relacionamento cotidiano com as comunidades e somente depois passaram a dialogar com agendas mais amplas de sustentabilidade e desenvolvimento local. O conjunto das respostas refor\u00e7ou uma percep\u00e7\u00e3o que atravessou todo o debate: independentemente da origem formal, os projetos que geram maior impacto s\u00e3o aqueles capazes de construir v\u00ednculos genu\u00ednos com as necessidades dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es da plateia deram uma dimens\u00e3o ainda mais rica ao debate ao trazer reflex\u00f5es de profissionais que vivem os desafios da sustentabilidade em diferentes contextos. Representando a Galvani, Ariana Prado, coordenadora de relacionamento com comunidades da empresa, refor\u00e7ou que o projeto Ra\u00edzes n\u00e3o surgiu de uma obriga\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria, mas do contato direto com a realidade local \u2013 \u201choje fomentamos as potencialidades de cada territ\u00f3rio. Quando chegamos \u00e0 Escola Quilombola Municipal Anisio Teixeira vimos um trabalho maravilhoso que merecia continuidade\u201d. A fala destacou um aspecto recorrente ao longo do painel: a import\u00e2ncia de enxergar as comunidades n\u00e3o apenas por suas demandas, mas tamb\u00e9m por seus ativos, talentos e voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outro momento de destaque ocorreu quando uma participante do evento perguntou qual havia sido o principal diferencial corporativo que permitiu transformar iniciativas sociais em projetos reconhecidos nacionalmente. A quest\u00e3o levou os participantes a refletirem sobre o papel da cultura organizacional na constru\u00e7\u00e3o do ESG.<\/p>\n<p>Para L\u00edgia, da CBA, a resposta est\u00e1 na integra\u00e7\u00e3o entre sustentabilidade e estrat\u00e9gia empresarial \u2013 \u201cn\u00e3o h\u00e1 como operar sem trabalhar projetos sociais estruturantes que gerem valor e impacto positivo para a sociedade\u201d. Na Lundin, Josielle destacou que o conceito de comunidades pr\u00f3speras faz parte da pr\u00f3pria estrat\u00e9gia corporativa, \u201cest\u00e1 na ess\u00eancia da empresa construir rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a com as comunidades\u201d. Ariana refor\u00e7ou que, na Galvani, o relacionamento comunit\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 responsabilidade exclusiva de uma \u00e1rea espec\u00edfica \u2013 \u201ctodos os profissionais t\u00eam essa preocupa\u00e7\u00e3o de ouvir e potencializar as comunidades do entorno\u201d. J\u00e1 Tha\u00eds apresentou uma pr\u00e1tica que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos participantes: a Social Experience, iniciativa da Mosaic que leva empregados e executivos para vivenciar a realidade das comunidades beneficiadas pelos projetos \u2013 \u201cquando estamos nesses espa\u00e7os com eles, fica muito mais f\u00e1cil construir entendimento e alinhamento\u201d. Fl\u00e1via, da CMOC, apontou na mesma dire\u00e7\u00e3o: \u201c\u00e9 fundamental trazer a alta lideran\u00e7a para entender a realidade das comunidades e o impacto que os investimentos podem gerar\u201d.<\/p>\n<h2>ESG, resultado financeiro e a licen\u00e7a social para operar<\/h2>\n<p>Talvez a interven\u00e7\u00e3o mais provocativa da tarde tenha vindo da jurada V\u00e2nia Andrade. Reconhecendo que a audi\u00eancia do evento era formada majoritariamente por profissionais j\u00e1 convencidos da import\u00e2ncia do ESG, ela lan\u00e7ou um desafio aos participantes: \u201cestamos falando aqui para convertidos\u201d, afirmou. \u201cMas como convencer os pragm\u00e1ticos? Como demonstrar que tudo isso tamb\u00e9m \u00e9 bom para o neg\u00f3cio?\u201d<\/p>\n<p>A pergunta trouxe para o centro da discuss\u00e3o um tema cada vez mais presente nos conselhos de administra\u00e7\u00e3o e nos f\u00f3runs de investidores: a rela\u00e7\u00e3o entre sustentabilidade e gera\u00e7\u00e3o de valor. \u201cComo economista, costumo dizer: em Deus eu acredito; o resto tem que mostrar n\u00fameros\u201d, provocou Maria Am\u00e9lia Enr\u00edquez.<\/p>\n<p>As respostas evidenciaram que os benef\u00edcios do relacionamento comunit\u00e1rio nem sempre aparecem diretamente nos balan\u00e7os financeiros, mas influenciam indicadores cr\u00edticos para a continuidade dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Josielle apresentou um exemplo emblem\u00e1tico. Em uma das \u00e1reas operacionais da Lundin, moradores reclamavam repetidamente das condi\u00e7\u00f5es de uma estrada utilizada pela empresa. Embora as reclama\u00e7\u00f5es chegassem \u00e0 equipe social, a lideran\u00e7a operacional ainda n\u00e3o compreendia plenamente a dimens\u00e3o do problema. A solu\u00e7\u00e3o foi simples: levar o gerente da opera\u00e7\u00e3o para conversar diretamente com os moradores \u2013 \u201cdepois daquela visita, n\u00e3o tivemos mais nenhuma reclama\u00e7\u00e3o sobre o tema\u201d.<\/p>\n<p>O caso serviu para demonstrar como o relacionamento comunit\u00e1rio influencia indicadores relacionados \u00e0 confian\u00e7a, reputa\u00e7\u00e3o e licen\u00e7a social para operar. Mais do que evitar conflitos, a aproxima\u00e7\u00e3o permitiu resolver um problema operacional antes que ele se transformasse em uma crise.<\/p>\n<p>Na Galvani, representantes da empresa destacaram que o principal desafio costuma ser sensibilizar o p\u00fablico interno: \u201co maior desafio n\u00e3o \u00e9 a comunidade; \u00e9 engajar os engenheiros\u201d, comentou Ariana. A empresa passou ent\u00e3o a ampliar programas de visitas e encontros entre profissionais das \u00e1reas t\u00e9cnicas e moradores das comunidades. Segundo ela, a diferen\u00e7a \u00e9 percept\u00edvel quando engenheiros, gestores operacionais e profissionais ambientais participam diretamente das conversas. \u201cTalvez ainda n\u00e3o tenhamos monetizado esse ganho, mas a constru\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a social certamente faz com que a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o pare\u201d.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o encontrou eco na fala de L\u00edgia, que apresentou uma perspectiva complementar. Al\u00e9m de investidores e comunidades, os pr\u00f3prios clientes passaram a incorporar crit\u00e9rios sociais e ambientais em seus processos de avalia\u00e7\u00e3o. \u201cHoje temos clientes para os quais direitos humanos e relacionamento com comunidades fazem parte da nossa nota de performance como fornecedor\u201d, disse a representante da CBA.<\/p>\n<p>Em outras palavras, aquilo que antes era visto apenas como responsabilidade social passou a influenciar diretamente a competitividade empresarial.<\/p>\n<p>Outro tema que ganhou for\u00e7a ao longo da conversa foi a necessidade de ampliar o envolvimento das \u00e1reas operacionais nas estrat\u00e9gias de sustentabilidade. Maria Am\u00e9lia observou que muitas empresas j\u00e1 avan\u00e7aram significativamente no di\u00e1logo com stakeholders externos, mas ainda enfrentam desafios para disseminar essa cultura internamente: \u201cn\u00e3o basta convencer o p\u00fablico externo. Precisamos convencer tamb\u00e9m quem est\u00e1 dentro das opera\u00e7\u00f5es\u201d. A observa\u00e7\u00e3o encontrou respaldo imediato entre os participantes.<\/p>\n<p>Josielle destacou que, em opera\u00e7\u00f5es localizadas muito pr\u00f3ximas das comunidades rurais, a intera\u00e7\u00e3o cotidiana entre trabalhadores e moradores torna inevit\u00e1vel a necessidade de preparar as equipes para esse relacionamento \u2013 \u201cn\u00e3o podemos esperar que toda situa\u00e7\u00e3o seja escalada para a alta dire\u00e7\u00e3o. Precisamos dar autonomia para quem est\u00e1 na ponta agir e se conectar com as pessoas\u201d.<\/p>\n<p>A fala remeteu a uma reflex\u00e3o recorrente durante o evento: a licen\u00e7a social para operar n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda exclusivamente pelos departamentos de sustentabilidade ou relacionamento comunit\u00e1rio. Ela \u00e9 constru\u00edda diariamente por operadores, supervisores, t\u00e9cnicos, engenheiros e gestores que representam a empresa em suas intera\u00e7\u00f5es com a popula\u00e7\u00e3o local. Nesse contexto, o ESG deixa de ser um tema corporativo e passa a fazer parte da cultura operacional.<\/p>\n<h2>Comunica\u00e7\u00e3o: da divulga\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a<\/h2>\n<p>O \u00faltimo grande tema do painel surgiu a partir de uma pergunta de Mariana Cavalcante, da PLS. A profissional quis saber qual era o papel da comunica\u00e7\u00e3o tanto no engajamento das comunidades quanto na presta\u00e7\u00e3o de contas para investidores, imprensa e demais stakeholders. A quest\u00e3o revelou outro ponto de converg\u00eancia entre os projetos.<\/p>\n<p>Todos os participantes reconheceram que, durante muito tempo, muitas empresas realizaram a\u00e7\u00f5es relevantes sem comunicar adequadamente seus resultados. \u201cFaz\u00edamos muita coisa, mas n\u00e3o verbaliz\u00e1vamos\u201d, admitiu Fl\u00e1via. Na CMOC, a solu\u00e7\u00e3o passou pela cria\u00e7\u00e3o dos boletins comunit\u00e1rios Intervozes, que divulgam cronogramas, resultados e hist\u00f3rias das comunidades atendidas.<\/p>\n<p>Josielle relatou transforma\u00e7\u00e3o semelhante na Lundin. A chegada de profissionais especializados em comunica\u00e7\u00e3o ampliou significativamente a capacidade de divulga\u00e7\u00e3o das iniciativas. \u201cA comunica\u00e7\u00e3o faz toda a diferen\u00e7a. Ela \u00e9 essencial para o engajamento\u201d.<\/p>\n<p>Na Mosaic, Tha\u00eds chamou aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de equil\u00edbrio. Segundo ela, a visibilidade dos projetos deve estar subordinada ao prop\u00f3sito social da iniciativa \u2013 \u201cn\u00e3o faz sentido realizar um evento maior do que o pr\u00f3prio investimento social\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 L\u00edgia destacou que sustentabilidade e comunica\u00e7\u00e3o precisam atuar de forma integrada desde a concep\u00e7\u00e3o dos projetos \u2013 \u201csomos quase um time s\u00f3\u201d.<\/p>\n<p>A fala resume uma tend\u00eancia crescente no setor mineral: a compreens\u00e3o de que comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas divulga\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m ferramenta de relacionamento, transpar\u00eancia e constru\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a.<\/p>\n<h2>Afinal, o ESG resolve o X da quest\u00e3o?<\/h2>\n<p>Ao final do debate, ficou evidente que a pergunta que deu nome ao painel n\u00e3o admite respostas simples. Nenhum dos participantes apresentou o ESG como solu\u00e7\u00e3o definitiva para os desafios enfrentados pelos territ\u00f3rios mineradores. Tampouco houve a pretens\u00e3o de substituir o papel do poder p\u00fablico ou de eliminar conflitos inerentes \u00e0 atividade mineral.<\/p>\n<p>O que os casos apresentados demonstraram foi algo talvez mais importante. Quando o ESG deixa de ser apenas uma sigla e se transforma em pr\u00e1tica cotidiana, ele cria condi\u00e7\u00f5es para que empresas, comunidades e governos construam solu\u00e7\u00f5es mais duradouras.<\/p>\n<p>Os projetos apresentados tinham focos distintos \u2014 mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, sa\u00fade, desenvolvimento rural, educa\u00e7\u00e3o antirracista e inclus\u00e3o de crian\u00e7as neurodivergentes \u2014, mas compartilhavam elementos comuns: escuta ativa, di\u00e1logo permanente, constru\u00e7\u00e3o coletiva, governan\u00e7a compartilhada e compromisso com resultados de longo prazo. Mais do que iniciativas sociais bem-sucedidas, os cases revelaram uma mudan\u00e7a de perspectiva sobre o papel das empresas nos territ\u00f3rios onde atuam.<\/p>\n<p>Ao encerrar o painel, Maria Am\u00e9lia Enr\u00edquez destacou que as boas pr\u00e1ticas precisam ser multiplicadas e compartilhadas: \u201cas externalidades negativas s\u00e3o amplamente conhecidas. As boas iniciativas tamb\u00e9m merecem ser publicizadas\u201d.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o foi refor\u00e7ada por Rolf Fuchs, presidente da Integratio e coordenador T\u00e9cnico do Minera\u00e7\u00e3o &amp;\/X Comunidades, ao lembrar que a qualidade dos projetos apresentados n\u00e3o se restringia aos vencedores. Segundo ele, os 15 finalistas demonstraram que a minera\u00e7\u00e3o brasileira vem acumulando experi\u00eancias valiosas na constru\u00e7\u00e3o de uma agenda ESG cada vez mais conectada \u00e0s necessidades reais das comunidades.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil61.com\/api\/v1\/serve_pixel\/17677\/90165\" alt=\"Pixel Brasil 61\" class=\"b61_pixel\" width=\"0\" height=\"0\"><\/p>\n<input type=\"hidden\" id=\"baseurl\" value=\"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\"><input type=\"hidden\" id=\"audio_nonce\" value=\"0ba8bda21d\">","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projetos de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o, desenvolvimento rural e adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica apresentados durante o Minera\u00e7\u00e3o &amp; Comunidades revelam que a licen\u00e7a social para operar nasce da escuta ativa e da constru\u00e7\u00e3o conjunta com os territ\u00f3rios.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":53191,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-53190","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"distributor_meta":false,"distributor_terms":false,"distributor_media":false,"distributor_original_site_name":"Noticias em Destaque","distributor_original_site_url":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br","push-errors":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53190","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53190"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53190\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53191"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53190"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53190"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}