{"id":46049,"date":"2025-09-19T04:20:00","date_gmt":"2025-09-19T07:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/2025\/09\/19\/goias-quer-ser-polo-estrategico-na-producao-de-insumos-para-transicao-energetica\/"},"modified":"2025-09-19T04:20:00","modified_gmt":"2025-09-19T07:20:00","slug":"goias-quer-ser-polo-estrategico-na-producao-de-insumos-para-transicao-energetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/2025\/09\/19\/goias-quer-ser-polo-estrategico-na-producao-de-insumos-para-transicao-energetica\/","title":{"rendered":"Goi\u00e1s quer ser polo estrat\u00e9gico na produ\u00e7\u00e3o de insumos para transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p>O avan\u00e7o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e das tecnologias de ponta recoloca as terras raras no centro das discuss\u00f5es estrat\u00e9gicas globais. Elementos fundamentais para a produ\u00e7\u00e3o de baterias, \u00edm\u00e3s permanentes, turbinas e\u00f3licas e equipamentos de alta tecnologia, esses minerais cr\u00edticos est\u00e3o no radar de pa\u00edses que buscam seguran\u00e7a de suprimento e independ\u00eancia tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O Brasil, detentor de importantes reservas, tem diante de si o desafio de transformar esse potencial em lideran\u00e7a sustent\u00e1vel, conciliando inova\u00e7\u00e3o, competitividade e responsabilidade socioambiental. Para aprofundar esse debate, com foco no desenvolvimento da cadeia produtiva das terras raras em Goi\u00e1s, o <strong>Minde (Sindicato da Ind\u00fastria da Minera\u00e7\u00e3o do Estado de Goi\u00e1s e Distrito Federal) <\/strong>e o <strong>Senai<\/strong> realizaram na sede da <strong>FIEG<\/strong>, em Goi\u00e2nia, dia 16 de setembro, o semin\u00e1rio \u201cTerras Raras: da Minera\u00e7\u00e3o ao Beneficiamento e Fabrica\u00e7\u00e3o de Produtos Tecnol\u00f3gicos de Alto Valor Agregado\u201d. O evento contou com o patroc\u00ednio das empresas Anglo American, Grupo Curimbaba, Lundin Mining, Aclara Resources, Power Minerals e Minera\u00e7\u00e3o Serra Verde.<\/p>\n<p>Conforme explicou Andr\u00e9 Rocha, presidente da <strong>FIEG (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Goi\u00e1s)<\/strong>, a proposta \u00e9 construir, de forma colaborativa, um conjunto de diretrizes que possa subsidiar a Federa\u00e7\u00e3o na formula\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica industrial voltada ao aproveitamento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico das terras raras extra\u00eddas no estado. Al\u00e9m de ampliar a gera\u00e7\u00e3o de empregos e renda, a verticaliza\u00e7\u00e3o da cadeia pode consolidar Goi\u00e1s como um polo estrat\u00e9gico para a produ\u00e7\u00e3o de insumos essenciais \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global \u2014 como baterias, \u00edm\u00e3s e componentes eletr\u00f4nicos. \u201cPrecisamos ir al\u00e9m da simples extra\u00e7\u00e3o para focar em inova\u00e7\u00e3o, pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) que viabilizem a industrializa\u00e7\u00e3o de terras raras. A iniciativa, alinhada aos temas globais de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e intelig\u00eancia artificial, busca posicionar o estado como um polo estrat\u00e9gico na nova economia\u201d, defendeu Rocha.<br \/>\nJoel Braga, Secret\u00e1rio de Estado da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os, salientou que Goi\u00e1s demonstra pioneirismo e lideran\u00e7a no setor: \u201cfoi o primeiro estado a registrar seu <strong>Plano Estadual de Recursos Minerais (PERM)<\/strong> na <strong>Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/anm\/pt-br\" target=\"_blank\">ANM<\/a>)<\/strong>, garantindo seguran\u00e7a jur\u00eddica, e tornou-se o primeiro das Am\u00e9ricas a exportar terras raras. O <strong>projeto Serra Verde<\/strong>, com um investimento de quase 600 milh\u00f5es de d\u00f3lares, j\u00e1 exporta o material, atraindo grande interesse internacional, evidenciado pela visita de uma delega\u00e7\u00e3o japonesa de alto n\u00edvel (incluindo executivos da Toyota) logo ap\u00f3s uma miss\u00e3o goiana ao Jap\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h2>Potencial geol\u00f3gico e vantagens competitivas do Brasil<\/h2>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o de Marcelo Carvalho, diretor Executivo da Meteoric Resources, teve como tema \u201cBrasil \u2013 Centro de novo mercado sustent\u00e1vel de terras raras? Perspectivas e desafios\u201d. Segundo ele, o Brasil re\u00fane condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas e estrat\u00e9gicas para se tornar um dos principais players globais no mercado de terras raras, insumos fundamentais para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e para a ind\u00fastria de alta tecnologia. \u201cEu n\u00e3o vim falar da minha empresa, vim falar sobre o setor e as oportunidades que os dep\u00f3sitos de terras raras do Brasil oferecem para o pa\u00eds\u201d, disse o executivo logo na abertura de sua apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Carvalho, a trajet\u00f3ria brasileira nesse campo ganhou destaque com as descobertas de l\u00edtio no Vale do Jequitinhonha, por\u00e9m, mais recentemente, os dep\u00f3sitos de terras raras v\u00eam atraindo investimentos expressivos. \u201cHoje, n\u00e3o tenho a menor d\u00favida de que o Brasil tem os melhores dep\u00f3sitos de terras raras do mundo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O executivo explicou que, apesar de os elementos conhecidos como \u201craros\u201d n\u00e3o serem escassos na natureza, a dificuldade est\u00e1 na sua separa\u00e7\u00e3o. Quatro deles t\u00eam valor estrat\u00e9gico crescente: neod\u00edmio, praseod\u00edmio, t\u00e9rbio e dispr\u00f3sio, fundamentais para a produ\u00e7\u00e3o de \u00edm\u00e3s de alta pot\u00eancia utilizados em turbinas e\u00f3licas, ve\u00edculos el\u00e9tricos, equipamentos de defesa, rob\u00f3tica e medicina. \u201cA demanda desses elementos deve ao menos dobrar nos pr\u00f3ximos dez anos, e os institutos ainda subestimam esse crescimento porque setores como a rob\u00f3tica sequer entram nas proje\u00e7\u00f5es atuais\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O executivo alertou, entretanto, para a depend\u00eancia global da <strong>China<\/strong>, que <strong>hoje controla cerca de 90% do mercado industrial e 70% da produ\u00e7\u00e3o mineral<\/strong>. \u201cSe a China fechar a torneira, em cinco semanas montadoras europeias param suas linhas de motores el\u00e9tricos. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos compra 100% dos \u00edm\u00e3s que utiliza da China. A depend\u00eancia \u00e9 total\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Carvalho destacou que o <strong>Brasil <\/strong>tem uma vantagem competitiva relevante: dep\u00f3sitos de argilas i\u00f4nicas, semelhantes aos chineses, mas em condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas mais favor\u00e1veis. O exemplo emblem\u00e1tico \u00e9 a <strong>Caldeira de Po\u00e7os de Caldas (MG)<\/strong>, considerada por ele um \u201cunic\u00f3rnio geol\u00f3gico\u201d pelo volume e teor mineral. \u201cS\u00f3 dentro da caldeira n\u00f3s temos reservas equivalentes ao dobro do Vietn\u00e3. Esse dep\u00f3sito pode se tornar para as terras raras o que Caraj\u00e1s representa para o ferro\u201d, comparou.<\/p>\n<p>Outro polo promissor est\u00e1 no norte de Goi\u00e1s, com dep\u00f3sitos de granitos alcalinos ricos em elementos pesados. \u201cS\u00e3o os maiores teores de terras raras pesadas do mundo. Isso \u00e9 altamente relevante, porque esses elementos t\u00eam maior valor agregado e uma demanda explosiva\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Se projetos como os da Meteoric, Aclara, Viridis e Serra Verde avan\u00e7arem simultaneamente, o Brasil poder\u00e1 produzir entre 30% e 35% da oferta mundial em poucos anos. \u201cEstamos no lugar certo, na hora certa. O desafio \u00e9 transformar esse potencial em produ\u00e7\u00e3o real\u201d, disse Carvalho.<\/p>\n<p>Entre os principais entraves, o executivo citou a previsibilidade no licenciamento ambiental, o financiamento de projetos e a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes. \u201cComo explicar a um investidor estrangeiro que o licenciamento pode levar de dois a cinco anos, dependendo do estado? Isso compromete a competitividade\u201d, criticou.<\/p>\n<p>Sobre financiamento, ele apontou limita\u00e7\u00f5es do <strong>BNDES<\/strong>, que exige garantias incompat\u00edveis com empresas juniores. \u201cSe n\u00e3o conseguirmos financiar no Brasil, teremos que buscar fora. Mas a\u00ed viramos exportadores de commodities, porque o financiamento externo vem amarrado a contratos de venda antecipada\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Carvalho defendeu a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de parceria p\u00fablico-privada e maior engajamento governamental, citando exemplos internacionais. \u201cA Austr\u00e1lia aportou US$ 1,7 bilh\u00e3o em um projeto que nem era economicamente vi\u00e1vel. Os Estados Unidos investiram US$ 300 milh\u00f5es em uma empresa no ano passado e v\u00e3o investir mais US$ 500 milh\u00f5es agora. Esses governos est\u00e3o garantindo que os dep\u00f3sitos saiam do ch\u00e3o\u201d, comparou.<\/p>\n<p>Para o diretor da Meteoric, o passo inicial \u00e9 claro: \u201cN\u00e3o adianta falar em ind\u00fastria sem antes falar em minera\u00e7\u00e3o. Esses dep\u00f3sitos ainda est\u00e3o no ch\u00e3o. Primeiro precisamos tirar o min\u00e9rio, produzir carbonato, e depois estruturar a cadeia industrial\u201d. Ele concluiu refor\u00e7ando a oportunidade de o Brasil criar uma cadeia ocidental de suprimentos de terras raras sustent\u00e1veis, com rastreabilidade, padr\u00f5es de <strong>ESG <\/strong>pr\u00f3prios e competitividade internacional. \u201cPodemos ser a base de um novo mercado global, oferecendo n\u00e3o apenas volume e qualidade, mas tamb\u00e9m sustentabilidade. Essa \u00e9 a grande chance do Brasil\u201d, finalizou.<\/p>\n<h2>Brasil ser\u00e1 \u201cgota no oceano\u201d diante da demanda global<\/h2>\n<p>O Brasil est\u00e1 diante de uma oportunidade hist\u00f3rica para se consolidar como fornecedor de terras raras estrat\u00e9gicas, mas o desafio \u00e9 grande diante da escala de demanda mundial. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Murilo Nagato, country manager da Aclara no Brasil, que destacou em sua apresenta\u00e7\u00e3o o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico da empresa e o papel que o pa\u00eds pode desempenhar nessa cadeia de valor.<\/p>\n<p>\u201cO que vamos produzir naquela cadeia de valor \u00e9 um elemento que chamamos de carbonato de terras raras. O nosso, produzido em <strong>Aparecida de Goi\u00e2nia<\/strong>, vem com uma qualidade muito superior ao material chin\u00eas\u201d, afirmou. Segundo ele, enquanto a pureza m\u00e9dia do produto da <strong>China gira em torno de 60% a 70%, a planta piloto da Aclara j\u00e1 alcan\u00e7ou 97%<\/strong>.<\/p>\n<p>Esse diferencial, explica Nagato, amplia a atratividade do material brasileiro para parceiros internacionais. \u201cUma qualidade t\u00e3o elevada abre portas para novas parcerias e reduz os riscos ao longo da cadeia de valor, hoje dominada pela China, que n\u00e3o compartilha facilmente tecnologia e conhecimento\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O executivo lembrou ainda que o Brasil tem vantagens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s terras raras pesadas, de alto valor agregado, que est\u00e3o nos planos da Aclara para serem produzidas em escala industrial a partir de 2028. \u201cHoje, os dep\u00f3sitos em Nova Roma representam cerca de 10% do que a China produz e algo em torno de 5% a 6% do mercado global. Isso j\u00e1 \u00e9 o dobro do que se produz em algumas regi\u00f5es asi\u00e1ticas\u201d, observou.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o \u00e9 que a demanda mundial por esses elementos dobre at\u00e9 2030, puxada pelo crescimento de setores como mobilidade el\u00e9trica, turbinas e\u00f3licas, defesa e rob\u00f3tica. \u201cMesmo com todo esse potencial, o Brasil n\u00e3o vai ser suficiente para absorver tudo. S\u00f3 para dar uma ideia, o que pretendemos produzir em 2028 seria suficiente para abastecer de quatro a cinco milh\u00f5es de carros por ano. A ind\u00fastria nacional n\u00e3o tem como consumir esse volume, portanto grande parte ter\u00e1 que ser exportada\u201d, disse.<\/p>\n<p>Nagato ressaltou, por\u00e9m, que o pa\u00eds precisar\u00e1 ter clareza sobre seu papel no mercado global. \u201cHoje falamos em dois d\u00edgitos de participa\u00e7\u00e3o, mas no futuro essa fatia pode cair para algo pr\u00f3ximo de 2% ou 3%. Nosso colega da Aclara costuma dizer que o Brasil ser\u00e1 apenas uma gota no oceano. E \u00e9 isso mesmo: diante da demanda crescente, seremos uma fra\u00e7\u00e3o, mas uma fra\u00e7\u00e3o altamente qualificada e estrat\u00e9gica.\u201d<\/p>\n<h2>Minera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel do in\u00edcio ao fim<\/h2>\n<p>O avan\u00e7o da explora\u00e7\u00e3o de terras raras no Brasil n\u00e3o depende apenas de viabilidade geol\u00f3gica e financeira. Para garantir sucesso e legitimidade, os projetos precisam nascer com uma base socioambiental s\u00f3lida. Essa foi a mensagem central de Rolf Fuchs, presidente da Integratio Consultoria.<\/p>\n<p>Fuchs tem experi\u00eancia direta no tema, incluindo a assessoria \u00e0 Serra Verde, desde o est\u00e1gio inicial at\u00e9 a licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o, e o trabalho com a Aclara. \u201cSe minera\u00e7\u00e3o fosse apenas geologia e engenharia, seria muito f\u00e1cil. A viabilidade econ\u00f4mica \u00e9 essencial, mas hoje n\u00e3o existe mais empreendimento que n\u00e3o tenha sua viabiliza\u00e7\u00e3o socioambiental\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O especialista ressaltou que os projetos de terras raras em argilas i\u00f4nicas possuem caracter\u00edsticas singulares. \u201cEssas jazidas funcionam como uma \u2018lavra-caminha\u2019: \u00e0 medida que voc\u00ea avan\u00e7a na lavra, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel recuperar a \u00e1rea atr\u00e1s. Mas, se o p\u00f3s-mina n\u00e3o for planejado desde o in\u00edcio, o risco de errar \u00e9 muito maior\u201d, explicou, comparando o modelo ao de minas de bauxita em Minas Gerais ou de tit\u00e2nio no<strong> Rio Grande do Sul<\/strong>.<\/p>\n<p>Entre os desafios apontados, est\u00e3o diagn\u00f3sticos de sa\u00fade e ambientais, fundamentais para evitar mitos e boatos sobre radioatividade. \u201cSe n\u00e3o tivermos indicadores claros, as narrativas de que minera\u00e7\u00e3o de terras raras aumenta c\u00e2ncer ou contamina\u00e7\u00e3o v\u00e3o se espalhar. O \u00fanico jeito de combater isso \u00e9 com argumentos t\u00e9cnicos e transparentes\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Outro ponto crucial \u00e9 o relacionamento com comunidades locais. \u201cNingu\u00e9m gosta de ter um vizinho barulhento, poluidor ou desconhecido. Ent\u00e3o, por que a minera\u00e7\u00e3o seria vista de forma diferente? Se o empreendimento n\u00e3o se integrar \u00e0 comunidade, aumenta o risco de oposi\u00e7\u00e3o, boatos e conflitos\u201d, disse Fuchs, defendendo planos de comunica\u00e7\u00e3o, conviv\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o ambiental desde a fase inicial.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m destacou a import\u00e2ncia de pensar no encerramento das opera\u00e7\u00f5es. \u201cAlgum dia a mina vai acabar. A obriga\u00e7\u00e3o de voc\u00eas, ge\u00f3logos e executivos, \u00e9 prolongar esse momento ao m\u00e1ximo, mas \u00e9 preciso preparar o terreno para quando isso acontecer. O fechamento de mina tem que ser integrado, com participa\u00e7\u00e3o de empresas, governos, cadeias de fornecimento e da pr\u00f3pria comunidade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Como exemplos de boas pr\u00e1ticas, citou projetos que devolveram \u00e1reas \u00e0 voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, garantindo mais produtividade aos pequenos produtores com assist\u00eancia t\u00e9cnica. Mas Fuchs tamb\u00e9m apontou alternativas inovadoras: \u201cPor que n\u00e3o instalar fazendas solares em \u00e1reas j\u00e1 mineradas? Assim, al\u00e9m de encerrar a mina de forma respons\u00e1vel, se gera uma nova fonte de riqueza e desenvolvimento regional.\u201d<\/p>\n<p>Para o consultor, a minera\u00e7\u00e3o de terras raras no Brasil s\u00f3 ter\u00e1 futuro s\u00f3lido se houver esfor\u00e7o conjunto entre empresas, universidades, centros de pesquisa, governos e sociedade civil. \u201cA minera\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, mas precisa ser respons\u00e1vel. O p\u00f3s-mina n\u00e3o \u00e9 um detalhe; \u00e9 parte essencial da viabilidade de qualquer empreendimento\u201d, concluiu.<\/p>\n<h2>Cadeia completa de \u00edm\u00e3s de terras raras<\/h2>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma cadeia produtiva nacional para os \u00edm\u00e3s permanentes de terras raras \u2013 essenciais na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e em setores de alta tecnologia \u2013 foi o tema central das apresenta\u00e7\u00f5es de<strong> Lu\u00eds Gonzaga Trabasso (Instituto Senai de Inova\u00e7\u00e3o\/SC), Ysrael Vera (CETEM\/RJ) e Andr\u00e9 Luiz Nunis da Silva (IPT\/SP)<\/strong>. Os especialistas destacaram avan\u00e7os, desafios tecnol\u00f3gicos e a import\u00e2ncia de integrar empresas, institutos de pesquisa e governo em um projeto de pa\u00eds.<\/p>\n<p>O professor Lu\u00eds Gonzaga Trabasso apresentou o projeto Magbras, concebido como um \u201cdemonstrador industrial\u201d de ciclo completo para produ\u00e7\u00e3o brasileira de \u00edm\u00e3s de terras raras, da minera\u00e7\u00e3o \u00e0 reciclagem. \u201c\u00c9 um projeto de pa\u00eds, fruto da integra\u00e7\u00e3o de 28 empresas e sete institui\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia e tecnologia. O nosso lema sempre foi da mina ao \u00edm\u00e3\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo Trabasso, a aprova\u00e7\u00e3o do projeto em edital estruturante do Senai e Fundep, ap\u00f3s uma primeira tentativa frustrada, foi um divisor de \u00e1guas. \u201cNa primeira submiss\u00e3o n\u00e3o havia mineradoras. Agora temos 12 empresas do setor integradas, o que garante uma vis\u00e3o completa de ciclo de vida\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Ele enfatizou que o objetivo do Magbras n\u00e3o \u00e9 suprir a demanda nacional de \u00edm\u00e3s \u2013 estimada em 10 mil toneladas por ano \u2013 mas estabelecer uma refer\u00eancia tecnol\u00f3gica. \u201cO que estamos propondo n\u00e3o \u00e9 resolver a demanda, mas apresentar um demonstrador industrial, com todas as etapas da cadeia, incluindo reciclagem\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, Ysrael Vera, pesquisador do <strong>CETEM\/RJ<\/strong>, detalhou os avan\u00e7os nos processos de separa\u00e7\u00e3o e purifica\u00e7\u00e3o de terras raras, etapa considerada o \u201ccora\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gico\u201d da cadeia. \u201cOs chineses demoraram 30 anos para dominar essas t\u00e9cnicas. O Brasil n\u00e3o pode perder tempo. Precisamos investir em pesquisa e planta piloto agora, porque sem dom\u00ednio da separa\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 independ\u00eancia tecnol\u00f3gica\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Vera ressaltou ainda a import\u00e2ncia de reduzir impactos ambientais nos processos de beneficiamento. \u201cO mundo n\u00e3o aceita mais tecnologias poluidoras. Temos que mostrar que o Brasil pode produzir terras raras de forma sustent\u00e1vel e com padr\u00f5es internacionais de ESG\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Encerrando as apresenta\u00e7\u00f5es, Andr\u00e9 Luiz Nunis da Silva, engenheiro qu\u00edmico e pesquisador do <strong>IPT\/SP<\/strong>, mostrou o trabalho desenvolvido pela institui\u00e7\u00e3o ao longo de mais de uma d\u00e9cada na etapa de redu\u00e7\u00e3o de \u00f3xidos a metais e na produ\u00e7\u00e3o de ligas magn\u00e9ticas.<\/p>\n<p>\u201cAs terras raras s\u00e3o chamadas de raras n\u00e3o porque sejam escassas, mas pela dificuldade em process\u00e1-las. Transformar \u00f3xidos em metais exige superar barreiras termodin\u00e2micas. \u00c9 um desafio cient\u00edfico e industrial\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Ele informou que o IPT vem testando rotas metalot\u00e9rmicas e eletroqu\u00edmicas para produ\u00e7\u00e3o de metais como neod\u00edmio e dispr\u00f3sio, al\u00e9m de desenvolver t\u00e9cnicas para obten\u00e7\u00e3o de ligas e p\u00f3s met\u00e1licos usados na fabrica\u00e7\u00e3o dos \u00edm\u00e3s. \u201cA rota eletroqu\u00edmica tem mostrado maior efici\u00eancia e possibilidade de escalabilidade. J\u00e1 conseguimos produzir amostras de \u00edm\u00e3s em escala piloto, com qualidade compar\u00e1vel \u00e0 internacional\u201d, revelou.<\/p>\n<p>Nunis destacou que, al\u00e9m do desafio tecnol\u00f3gico, \u00e9 preciso criar um ecossistema de inova\u00e7\u00e3o integrado. \u201cEstamos falando de uma cadeia que vai da minera\u00e7\u00e3o \u00e0 manufatura avan\u00e7ada. Nenhum instituto sozinho consegue dar conta disso. A chave \u00e9 a coopera\u00e7\u00e3o entre ICTs, empresas e governo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O encerramento do encontro coube a Luiz Ant\u00f4nio Vessani, presidente e fundador do Movimento Nacional da Minera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (Minde), que refor\u00e7ou a import\u00e2ncia de transformar o debate em a\u00e7\u00e3o concreta para consolidar a cadeia de terras raras no Brasil e fortalecer a ind\u00fastria mineral como um todo.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos dois objetivos: mostrar a abund\u00e2ncia mineral brasileira e a complexidade de todo o ciclo, da mina at\u00e9 o \u00edm\u00e3\u201d, afirmou Vessani, destacando que Goi\u00e1s se apresenta como um dos polos estrat\u00e9gicos para essa agenda. Ele elogiou o apoio do governo estadual, da FIEG e do Senai, ressaltando a necessidade de integrar institui\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia e tecnologia, empresas e entidades da ind\u00fastria em um projeto de pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ao lembrar os entraves enfrentados pelo setor, como o monop\u00f3lio tecnol\u00f3gico da China e a dificuldade de atrair a ind\u00fastria nacional para essa cadeia, Vessani foi categ\u00f3rico: \u201cTemos potencial maior do que o da China em termos de recursos minerais. O exemplo que precisamos seguir \u00e9 o de aproveitamento inteligente, que passa por pol\u00edtica de Estado e continuidade, independentemente de mudan\u00e7as de governo.\u201d<\/p>\n<p>Em sua fala, ele refor\u00e7ou o papel do Minde como articulador pol\u00edtico e institucional para garantir que o setor mineral tenha voz ativa em Bras\u00edlia. \u201cO nosso esfor\u00e7o \u00e9 ligar as pontas, juntar compet\u00eancias e trazer a ind\u00fastria para perto. O Minde nasceu justamente para defender e desenvolver a minera\u00e7\u00e3o no Brasil, mostrando que o setor n\u00e3o \u00e9 problema, mas solu\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento nacional\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Vessani encerrou emocionado, agradecendo a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores, empresas e entidades que se uniram ao debate. \u201cCumprimos nossa fun\u00e7\u00e3o hoje. Agora, \u00e9 hora de transformar esse movimento em resultados concretos para a sociedade\u201d, concluiu, lan\u00e7ando o compromisso de seguir trabalhando pela cria\u00e7\u00e3o de um Grupo de Trabalho em Goi\u00e1s, como base de apoio \u00e0s iniciativas que integrar\u00e3o ci\u00eancia, ind\u00fastria e governo.<\/p>\n<p>As reflex\u00f5es deste encontro demonstram que o Brasil re\u00fane n\u00e3o apenas recursos minerais abundantes, mas tamb\u00e9m capital humano, conhecimento cient\u00edfico e capacidade industrial para ocupar um papel estrat\u00e9gico na cadeia global de terras raras. O desafio que se coloca \u00e9 transformar esse potencial em realidade por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes, parcerias entre academia e ind\u00fastria, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e compromisso socioambiental. Se esses elementos convergirem, o pa\u00eds poder\u00e1 n\u00e3o apenas atender \u00e0 crescente demanda internacional, mas tamb\u00e9m se consolidar como refer\u00eancia mundial em produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de terras raras, agregando valor \u00e0 sua economia e contribuindo para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global. (Mara Fornari)<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brasil61.com\/api\/v1\/serve_pixel\/17677\/84699\" alt=\"Pixel Brasil 61\" class=\"b61_pixel\" width=\"0\" height=\"0\"><\/p>\n<input type=\"hidden\" id=\"baseurl\" value=\"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\"><input type=\"hidden\" id=\"audio_nonce\" value=\"6f73a554f1\">","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas discutem como o pa\u00eds pode transformar suas reservas em lideran\u00e7a sustent\u00e1vel, unindo ci\u00eancia, ind\u00fastria e responsabilidade socioambiental.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":46050,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-46049","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"distributor_meta":false,"distributor_terms":false,"distributor_media":false,"distributor_original_site_name":"Noticias em Destaque","distributor_original_site_url":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br","push-errors":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46049\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/noticiasdestaque.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}