Crescimento de remessas internacionais e adoção de pagamentos instantâneos movimentaram mais de US$ 40 bi e fortalecem setores como educação, fintechs e tecnologia nos EUA e América Latina.
[Curitiba, Janeiro de 2025] – As transações financeiras entre os Estados Unidos e a América Latina vêm se consolidando como uma via de mão dupla que movimenta economias, fortalece setores estratégicos e acelera a inovação nos meios de pagamento. Um exemplo emblemático é o impacto financeiro das remessas realizadas por estudantes latino-americanos matriculados em universidades americanas, que contribuem com bilhões de dólares ao ano para a economia dos EUA.
Segundo dados do ano acadêmico de 2023-2024, cerca de 71 mil estudantes latino-americanos estavam matriculados em instituições de ensino superior nos Estados Unidos. Essa movimentação representou uma contribuição de US$ 43,8 bilhões para a economia norte-americana, apoiando mais de 378 mil empregos — incluindo áreas como moradia, alimentação, transporte e varejo — gerando um impacto positivo no PIB dos EUA estimado em US$ 3 bilhões.

“A educação internacional é um dos canais mais importantes de conexão econômica entre os países. E por trás dessa relação, há toda uma infraestrutura financeira que precisa ser eficiente, rápida e segura. Quanto mais fluidez nas transações, maior o impacto positivo para ambos os lados”, afirma Eginara Nery, brasileira executiva de operações de uma fintech norte-americana.
Movimentações bilionárias
Eginara, que é especializada em soluções de pagamentos em tempo real, destaca que além do setor educacional, as remessas internacionais como um todo configuram um fluxo expressivo de capital. “Para se ter ideia, em 2023, os EUA enviaram cerca de US$ 656 bilhões (Fonte: World Bank / FXCintel) em remessas para outros países — consolidando-se como o maior país remetente do mundo. Fintechs como Wise, Remitly, PayPal, além de tradicionais como Western Union e MoneyGram, foram responsáveis por cerca de 95,6% dessas transferências”.
Considerando uma taxa média de 6,4% por transação (incluindo tarifas e margens de câmbio), as empresas de remessas nos EUA arrecadaram aproximadamente US$ 42 bilhões em 2023, gerando arrecadação de impostos para o governo, fomentando aumento do PIB, geração de emprego e renda para o país.
Vantagens de pagamentos instantâneos
Fazendo um levantamento, a executiva aponta que 25% das remessas dos EUA utilizaram métodos de pagamento instantâneo, isso teria gerado uma receita estimada de US$ 10,5 bilhões, considerando taxas de 6,7% (tarifa + margem de câmbio). Porém, ela destaca que usuários estariam dispostos a pagar de 15% a 30% a mais por transações instantâneas. Com isso, se aumentar esse índice de 25% para 50% das transações, a receita seria de US$ 24,6 bilhões, considerando, neste caso, taxas de 7,5% para um cenário premium.
“Se os EUA aumentarem substancialmente a velocidade das remessas com tecnologias como real-time payments, blockchain e carteiras digitais, o impacto financeiro pode ultrapassar US$ 14 bilhões por ano em receitas adicionais para empresas. Esse crescimento reforça setores como fintech, TI, compliance, e impulsiona o PIB através da inovação e serviços exportáveis. Os EUA podem aumentar seu PIB de forma expressiva ao fortalecer laços com a Latam e trazer tecnologia e profissionais que atendam o setor de Fintechs e pagamentos bilaterais”, finaliza Eginara.







